131. Gaiola Dourada
Caroline Hart
Acordei como se um caminhão, daqueles imensos e carregados até o teto, houvesse passado por cima de mim.
Cada músculo queimava num protesto lento. Minha cabeça parecia presa entre duas placas de ferro, rangendo a cada respiração. O chão gelado e úmido sob mim grudava na pele. No ar, o cheiro forte de mofo misturava-se a algo seco, metálico. Sangue. Um gosto de ferrugem pairava na boca, como se eu tivesse mordido o próprio medo.
Não via a luz do sol, mas sentia. Lá fora, o dia já