Fernanda Vasques
Duas da manhã.
O silêncio deveria ser o soberano da cobertura, mas o que eu ouvia era uma sinfonia de deboche vindo da parede vizinha. Risadas. Agudas, estridentes, irritantes. Risadas de mulheres que pareciam estar se divertindo às custas da minha sanidade.
Enfiei a cara no travesseiro, tentando abafar o som, mas o grave da música batia direto no meu peito. Aquele filho da mãe. Aquele arquiteto de quinta categoria com rosto de modelo da Calvin Klein. Ele me disse, com aquela vo