CAPÍTULO 5 EU VOU TE PROTEGER

Os dias seguintes envolveram Margaret numa calma frágil, como um cristal prestes a se quebrar. A rotina dela deslizava entre reuniões, sessões de trabalho e aulas na preparatória, mas a mente era um campo de batalha. Ethan tinha cumprido a promessa: se afastara, deixando-a em paz. Embora Margaret se repetisse que estava melhor sem ele, uma faísca de desejo continuava ardeno no interior, sussurrando que sentia falta dele.

— Merda! — gritou, com a voz quebrada pela frustração ao descobrir os dois pneus furados do carro —. Como diabos isso aconteceu? E agora o que eu faço?

Se inclinou, inspecionando o estrago, quando uma voz que acreditava não ouvir mais a arrancou dos pensamentos.

— Oi, querida! — Nike apareceu do nada, com um sorriso gélido que destilava ameaça —. Finalmente te encontrei. Sentiu minha falta?

Margaret recuou.

— Você! — espetou, com a voz trêmula mas firme —. Como chegou aqui? Isso não é possível! — Os olhos se encheram de pânico enquanto o encarava —. Vai embora agora mesmo ou eu chamo a polícia.

Nike soltou uma risadinha cruel, avançando com uma careta de satisfação.

— Vamos, querida, não faz essa cara — disse, saboreando o medo dela —. Tão rápido assim você me esqueceu? Eu te avisei: você nunca vai se livrar de mim.

— Cai fora! — gritou Margaret, com a voz carregada de fúria e dor —. Por sua culpa eu passei um mês no hospital. O que diabos você quer?

— Eu te quero de volta — respondeu ele, dando um passo na direção dela com um olhar que gelava o sangue.

— Nem um passo a mais! — advertiu Margaret, plantando-se com coragem —. Me escuta bem: eu jamais volto pra você! Prefiro morrer.

Os olhos de Nike brilharam com uma fúria sádica.

— Então eu te atendo, querida — sibilou. Num movimento rápido, desferiu um soco que a fez cambalear. Antes que pudesse reagir, a derrubou no chão e as mãos se fecharam em volta do pescoço dela, apertando com uma lentidão aterradora.

Margaret ofegava, lutando pra respirar.

— Se você vai me matar, faz logo — sussurrou com desafio, os olhos cravados nos dele —. É a única forma de me ter.

— Eu sempre consigo o que quero — rosnou Nike, apertando mais forte. Mas antes que pudesse continuar, uma figura irrompeu na cena.

— Tira essas mãos imundas dela! — rugiu Ethan, com uma fúria que parecia incendiar o ar. Sem hesitar, se lançou sobre Nike, derrubando-o com um golpe —. Com que direito você a toca?

Nike se levantou, limpando o sangue do canto da boca, e soltou uma risada desdenhosa.

— Quem você pensa que é, moleque? — cuspiu —. Cai fora, heróizinho. Aqui você não pinta nada.

Ethan não recuou. Com cuidado, levantou Margaret do chão, segurando-a com uma ternura que contrastava com a tempestade nos olhos.

— Você tá bem? — murmurou, suavizando a voz enquanto a abraçava —. Desculpa, cheguei tarde.

Margaret se agarrou a ele, com lágrimas caindo sem controle enquanto o corpo tremia.

— Ethan! — soluçou —. Se você não tivesse chegado… eu não sei o que aquele desgraçado teria feito comigo.

— Fica tranquila, eu tô aqui — respondeu ele, enxugando as lágrimas com delicadeza —. Eu vou te tirar desse inferno.

— Sai daqui! — bramou Nike, com o rosto avermelhado de raiva por ser ignorado.

Ethan se virou pra ele, com um olhar afiado.

— E se eu não for? — o desafiou, com um tom zombeteiro que escondia uma fúria contida —. O que você vai fazer a respeito?

Nike sorriu com arrogância, dando um passo à frente.

— Se não quiser terminar numa maca, desaparece. Ela e eu só estávamos… conversando.

— Eu não vi nenhuma conversa — replicou Ethan, avançando com uma intensidade selvagem. O agarrou pelo pescoço com força, erguendo-o levemente do chão —. Me escuta bem: some agora, ou eu juro que você vai ser o que termina reduzido a nada.

Nike soltou uma gargalhada fria, embora um lampejo de dúvida cruzasse os olhos.

— Um fraco como você não me assusta — disse, tentando manter a fachada de confiança —. Faz o que quiser, pequeno. Você não tem ideia de com quem tá se metendo.

Ethan não pensou. Só reagiu. Deu um passo à frente e, com a precisão e a brutalidade de alguém que tinha treinado o corpo pra algo mais que palavras, conectou um soco na mandíbula de Nike, que o fez recuar e apoiar as mãos nos joelhos, tossindo.

— Não volta a tocar nela — disse Ethan, com a voz tão baixa que soou como uma sentença.

Nike se esfregou o rosto, com os olhos cheios de ira e orgulho ferido. Avançou desajeitado, buscando provocá-lo; Ethan o recebeu com outro golpe, dessa vez direto no rosto, quebrando-lhe o nariz com um estalo audível. O sangue brotou como um rio, salpicando o asfalto, e Nike caiu de joelhos, atordoado.

Margaret abafou um grito, cobrindo a boca, mas os olhos refletiam uma mistura de terror e alívio.

— Ethan, chega! É melhor chamar a polícia! — suplicou, mas ele não ouviu. A mente estava fixa em defendê-la, em apagar a ameaça que Nike representava.

Só parou quando viu os nós dos dedos, marcados de sangue.

— Acabou — murmurou contra o cabelo dela —. Ninguém vai te tocar enquanto eu estiver aqui.

Margaret se desmoronou nos braços dele, soluçando de alívio.

— Obrigada… Deus, obrigada — sussurrou, aferrando-se a ele como se fosse seu salva-vidas —. Você se dá conta do que fez? Podia ser preso!

— Já! Que alguém tente. Agora vamos embora, deixa esse imbecil; não acho que alguém se importe.

— Santo Deus! O que eu faço com você?

— Me dá um beijo — sorriu com malícia.

— Você tá louco! Por que você tá aqui?

— Eu senti sua falta, só queria te ver. E quando cheguei, desci do carro e, ao ver que você tava sendo atacada, não consegui evitar.

— Como for, me deixa ir, eu tô exausta.

— Não tão fácil assim — a pegou pelo braço direito e a puxou pra perto —. Não pensa que eu vou te desamparar. Deixa eu te levar. Só de imaginar que alguém possa te machucar, eu perco o controle. Eu queimaria todas as florestas por você.

— Me solta! — O coração acelerou, e ao observar os lábios delicados dele, sentiu um impulso de devorá-los.

— Vamos, eu só peço um beijinho.

— Para com os jogos! Se afasta, alguém pode nos ver.

— Eu não quero te causar problemas, então eu paro. Só te peço que me deixe te acompanhar; eu quero ter certeza de que você vai chegar em segurança.

— Tá bem — suspirou.

Os dois subiram no carro, e enquanto o automóvel avançava pelas ruas iluminadas, Margaret estava sobrecarregada por uma mistura de emoções. Ao lado dela, Ethan dirigia com expressão séria, os olhos deslizando ocasionalmente na direção dela, cheios de preocupação e de algo mais que Margaret não queria interpretar naquele momento.

Finalmente, Ethan quebrou o silêncio.

— Desculpa se eu parecer intrometido, mas tem uma coisa que tá me quebrando a cabeça faz um tempo. Como é que você acabou com aquele patife?

— Bom… não é uma coisa de que eu goste de falar.

— Eu entendo, não é obrigação você fazer isso comigo. Mas, assim como você me ouviu, eu queria dessa vez ser o seu salvador.

— E você foi, eu te garanto. Olha, por enquanto eu não quero lembrar aqueles momentos ruins. Quando chegar a hora, eu te conto; foi um dia muito intenso. Eu preciso descansar e esclarecer os pensamentos.

Ethan não insistiu mais, e o restante do trajeto passou em silêncio. Ao chegar ao apartamento de Margaret, ele desceu rápido pra abrir a porta e ajudá-la a sair do carro.

— Chegamos — disse ele —. Se precisar de mais alguma coisa, não hesite em me ligar.

Margaret o olhou nos olhos e, por um momento, se perdeu na intensidade dele. Depois balançou a cabeça, lembrando a si mesma que qualquer movimento estava proibido e qualquer desejo indevido devia ser banido.

— Hora de se despedir — disse, sentindo um nó na garganta —. Boa noite.

— Se cuida.

Ethan esperou que Margaret entrasse no apartamento antes de ir embora. Quando ela fechou a porta, se apoiou nela, sentindo uma onda de emoções. Confusa por tudo o que Ethan provocava nela.

Subiu pro quarto, se deixou cair na cama e olhou pro teto. A reaparição de Nike a sobrecarregava, e o resgate inesperado de Ethan se misturavam na mente, deixando-a exausta e confusa. Sabia que precisava ser forte, que não podia permitir que as emoções a dominassem. Mas, no mais profundo do ser, sabia que os fios do destino estavam prestes a enredá-la num redemoinho do qual não conseguiria escapar facilmente.

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