Mundo ficciónIniciar sesiónLucie e Kassiani chegaram ao local de táxi. O noivo nem se dignou a mandar um carro. Dentro do veículo, Lucie cruzava os braços sobre o decote profundo, mas o motorista não parava de encará-la pelo retrovisor, com um olhar faminto que a fazia se sentir nua.
— Preste atenção na estrada! — vociferou Kassiani. — O que não é seu, não se olha! O homem piscou, como se saísse de um transe, mas ainda lançou mais alguns olhares discretos. Lucie mal respirava. Havia algo nela que atraía esse tipo de atenção, algo que nem ela compreendia. Quando finalmente chegaram ao Du Palais de La Méditerranée, o choque foi imediato: o casamento seria no mesmo cassino onde seu pai a apostara. Um tapa na cara. O lugar estava fechado ao público. Apenas alguns funcionários circulavam em silêncio. Uma mulher elegante se aproximou com um sorriso caloroso: — Boa noite! Sejam bem-vindas. Sou Dona Laurent, mãe de Leon. Ela abraçou Lucie com carinho, mas seus olhos percorreram o vestido revelador por um segundo. Mesmo assim, foi educada. — Meu filho não me contou quase nada. Só soube do casamento hoje de manhã. Mas olhe para você... parece uma fada. Não é à toa que ele esteja tão apaixonado. Lucie ficou sem palavras. A senhora parecia genuinamente alheia à podridão por trás daquele arranjo. Chegou até a perguntar, com olhos brilhantes: — Já posso me considerar vovó? Lucie corou violentamente. — Ainda não, senhora... Foi então que uma voz grave, rouca e profundamente masculina soou atrás delas, fazendo os pelos de sua nuca se arrepiarem: — Porque decidimos assim, mãe. Um casamento discreto. Lucie virou-se lentamente. O ar pareceu rarefazer. Leon Durand estava ali, a poucos passos. Alto, ombros largos, cabelo escuro impecavelmente penteado e olhos azuis intensos que pareciam capazes de atravessar carne e osso. Ele a encarou como se o resto do mundo tivesse desaparecido. Seu olhar desceu devagar pelo corpo dela — do rosto aos lábios, pescoço, colo exposto, cintura marcada pelo vestido, a fenda alta que revelava a coxa — com uma fome tão crua e descarada que Lucie sentiu o calor subir por sua pele. Ele se aproximou com passos lentos, predatórios. Sem pedir permissão, segurou sua cintura com firmeza, puxando-a um pouco mais para perto. O toque queimou através do tecido fino. Inclinou-se e roçou os lábios em sua bochecha, perigosamente perto da boca, demorando-se ali mais do que o necessário. Seu perfume era caro, amadeirado, dominante. — Querida... — murmurou contra sua pele, voz baixa e carregada. — Você é ainda mais viciante pessoalmente. Lucie sentiu um choque elétrico percorrer sua espinha. O coração dela disparou. Ele não estava apenas olhando. Ele a devorava. Havia desejo puro, possessivo e perigoso naquele olhar azul. Como se ele já imaginasse exatamente o que faria com ela mais tarde. Leon inalou discretamente perto de seu pescoço, como se estivesse captando seu cheiro. Algo nele pareceu estremecer por um segundo — uma reação involuntária, quase imperceptível. A essência natural de Lucie, doce e sutil, misturada ao nervosismo dela, o atingiu mais fundo do que ele esperava. Ele apertou levemente a cintura, controlando-se. — Fiquei contando as horas — sussurrou, o tom sedutor, mas com uma ponta de algo mais sombrio. Kassiani e Dona Laurent observavam a cena. A mãe de Leon sorriu, emocionada. Kassiani, por outro lado, parecia prestes a ter um ataque. Leon finalmente soltou a cintura, mas seus olhos continuavam presos em Lucie, intensos, quase hipnóticos. Até que, de repente, seu maxilar enrijeceu. O desejo deu lugar a uma fúria gelada. Ele a segurou pelo braço com mais força e a puxou para um canto mais reservado do salão, longe dos ouvidos das duas mulheres. — O que você pensa que está fazendo? — rosnou, voz baixa e ameaçadora. Lucie piscou, confusa. — Como assim? — Esse vestido — cuspiu ele, o olhar descendo novamente, agora com raiva. — Você o usou para me provocar? Para desfilar suas curvas e deixar todos os homens aqui babando em cima do que é meu? Lucie tentou se cobrir com as mãos, envergonhada, Leon aproximou o rosto do dela, olhos azuis flamejando. — Não vou tolerar isso, Lucie. Jamais. Você é minha futura esposa. Ninguém mais tem o direito de olhar para o que me pertence. Se estivéssemos sozinhos agora, eu arrancaria esse trapo do seu corpo aqui mesmo. A mistura de desejo reprimido e raiva em sua voz era palpável. Ele respirou fundo, tentando se controlar, mas seu olhar ainda queimava sobre ela. Lucie tentou falar algo, mas Leon não deixou, segurou seu ombro força e disse em um rosnado baixo: — Aprenda rápido: eu não compartilho. E não aceito desafios. Lucie sentiu um frio na espinha. Por trás daquela beleza perigosa e daquele magnetismo sexual avassalador, havia algo muito mais sombrio. O Filho do Demônio não era apenas uma expressão. Era real.






