CAPÍTULO 05

GUERO NARRANDO:

Fazia tempo que eu não aproveitava uma noite como aquela em Vegas. Meu hotel e cassino era o meu maior orgulho, mas ultimamente eu vinha deixando o trabalho mais pesado nas mãos do meu administrador, enquanto eu me dedicava a cuidar dos negócios mais... delicados, assuntos da família. No entanto, hoje era uma dessas noites raras em que eu decidia misturar prazer e negócios.

O camarote era meu santuário. Um espaço exclusivo no andar superior da boate Pallazo, projetado para me manter acima da multidão, mas perto o suficiente para sentir a energia pulsante do lugar. À minha volta, as melhores modelos da cidade se espalhavam pelos sofás, rindo, bebendo e dançando. Alguns colegas de confiança estavam lá também, caras que sabiam quando falar e, mais importante, quando calar.

A música vibrava através do piso, e eu já tinha perdido a conta de quantas doses de tequila e uísque haviam passado pela minha garganta. Uma linha de pó branco me encarava da mesa de vidro ao lado, mas eu ainda não estava pronto para isso. A mistura de comprimidos e álcool já tinha me levado ao estado de euforia que eu gostava — aquela sensação em que tudo parecia mais claro, mais brilhante, mais... controlável.

Foi então que meus olhos pousaram nela.

Edilena, que esbarrei sem querer, agora era minha convidada.

A garota era... diferente. Morena, cabelos escuros caindo como uma cortina de seda emoldurando um rosto perfeito. Os olhos eram de um azul que quase doía de tão intenso, como se ela pudesse ver direto através de você. As pernas longas e o jeito marrento me atraíram imediatamente. Ela não sorria como as outras, não tentava chamar atenção, mas era impossível não notar sua presença.

Eu a observava há algum tempo, mas a cada segundo que passava, a vontade de me aproximar crescia. Edilena não era como as outras mulheres que vinham ao meu camarote. Ela não estava jogando o jogo habitual de sorrisos fáceis e olhares calculados. Não, ela era diferente. O jeito que ela conversava com a prima, os olhos azuis que me encaravam de vez em quando...

Tudo nela parecia um desafio irresistível.

Peguei mais um drink, uma margarita perfeita, e caminhei até ela. Eu sabia que a aproximação certa era tudo. Edilena me viu chegando e parou de conversar, o olhar me acompanhando de maneira curiosa.

— Meninas, vocês não estão gostando da festa? Ou será que não tem as bebidas preferidas de vocês? — perguntei, entregando o copo para ela.

Marília, sua prima loira, tão bonita quanto Edilena, sorriu de um jeito educado antes de se levantar.

— Ah, eu vou procurar um drink no bar — ela disse, claramente querendo dar espaço.

Eu mal a notei.

Loiras eram encantadoras, mas eu sempre preferi as morenas. Quando voltei meu olhar para Edilena, ela estava lá, perfeita. O batom realçava os lábios carnudos, e as unhas pintadas de azul escuro contrastavam com aqueles olhos penetrantes. O decote da camisa levemente desabotoada revelava um vislumbre tentador, e a saia curta mostrava as pernas impecáveis.

Ela não era só bonita; ela era uma obra de arte.

— Obrigada — ela disse com um sorriso sensual, tomando um gole pelo canudo.

O jeito como ela me olhou fez meu corpo inteiro reagir.

— Você e sua prima parecem tensas — comentei, tomando um gole do meu uísque para acalmar o calor que subia.

— É que não estamos acostumadas a sair para boates — ela respondeu com um sorriso tímido, quase inocente.

Eu não sabia se acreditava nela, mas isso só tornava as coisas mais interessantes.

— Você é mexicano? — ela perguntou de repente, inclinando-se um pouco para ser ouvida por cima da música.

— Sim. E você? Americana? — perguntei, aproximando-me mais para ouvir melhor sua voz baixa e deliciosa.

Minha mão tocou sua cintura quase sem pensar, puxando-a levemente para perto.

Ela não recuou.

— Sim... Você é casado? — A pergunta veio num tom casual, mas o jeito que ela a fez, tão perto do meu ouvido, me arrancou um sorriso.

— Não. E você? — devolvi a pergunta, encarando-a nos olhos.

Vi suas bochechas ficarem levemente coradas antes de ela desviar o olhar.

— Ah, também não — ela respondeu, rindo suavemente e tomando outro gole do drink. Então, perguntou: — Tem filhos?

— Não, gata. Sem esposa e sem filhos. — O jeito como ela me olhava enquanto falava me fazia querer beijá-la ali mesmo.

— E você trabalha com o quê? — A pergunta saiu casual, mas eu percebi o interesse genuíno por trás dela.

Eu ri, balançando a cabeça.

— Isso aqui é uma entrevista de emprego? — perguntei, provocando-a. Ela riu, e eu adorei o som.

— Ah, desculpa. Sou muito curiosa.

— Porque, se for, preciso saber pra qual vaga estou me candidatando — repliquei, inclinando-me mais perto do rosto dela.

Ela riu de novo, aquele sorriso que misturava diversão e nervosismo. Eu sabia que estava ganhando.

O jogo entre nós estava só começando, e eu nunca gostei de perder.

Estávamos muito próximos, com o barulho da música abafado pelo calor do momento. A luz suave iluminava seu rosto, criando um efeito quase mágico.

— Que tal o cargo de meu marido? — Ela disse com um brilho nos olhos, como se soubesse exatamente como me pegar de surpresa.

Eu dei uma risada curta, uma mistura de surpresa e diversão.

— Uau, está me pedindo em casamento? — Perguntei, rindo, mas tentando disfarçar a tensão crescente no meu peito.

Ela sorriu, sem deixar de me olhar. Era uma garota maluquinha, isso era claro. Mas quem não gostava de um desafio, não é mesmo?

— Bom… Estamos em Vegas… Porque não? — Ela respondeu com um sorriso provocador, os olhos brilhando de diversão.

Eu não conseguia parar de encará-la, a verdade era que eu estava completamente envolvido.

— Claro, estamos em Vegas… Lógico que me casaria com você, linda — disse, fazendo o que eu sabia que ela queria ouvir.

Sabia que a resposta iria agradá-la e talvez me desse uma vantagem.

Meu objetivo era claro: conquistar tudo de uma vez.

Eu queria Edilena na minha cama, e queria agora.

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