Alec Gordoma
O sol da manhã invadiu o quarto por entre as frestas das venezianas de madeira, desenhando listras douradas sobre os lençóis brancos e sobre a pele nua de Aurora. Eu acordei primeiro, como sempre acontece. Ela estava virada de lado, um dos braços debaixo do travesseiro, os cabelos castanhos espalhados como um halo desfeito. Respirando fundo e devagar. Adormecida. Minha mulher. O pensamento ainda me dava um nó na garganta, um misto de orgulho e de uma posse que vinha das entranhas.