Anos antes
— Vamos trocar de lugar, agora você vai dirigir. — A voz do meu tio saiu mole por causa do excesso de álcool.
— Não. Amanhã. Já está escuro — aleguei sentindo o medo de errar ser mais forte que o de arriscar.
— Só uma volta — disse já parando o carro e tirando o cinto. — Não tenho sobrinho covarde.
Ele saiu do carro. Ainda tentei insistir, mas me vi no volante com meu tio ao lado ditando o que eu tinha que fazer para dirigir.
Apesar dele dar mais atenção a garrafa de cerveja que bebia, estava tudo indo bem até que vi Maria atravessando a rua. Era para eu diminuir a velocidade, mas o carro acelerou de uma vez.
Olhei para baixo e pisei no freio.
— Olha para frente! — meu tio gritou nervoso.
Apavorado olhei para frente ao mesmo tempo em que ele gritava para eu colocar o pé no freio e empurrava o meu pé. E o carro acelerou outra vez... e aconteceu. Foi tudo rápido, quando dei conta o corpo voava sobre o carro.
Dias atuais
Gael muitas vezes me tirava do sério. Eu não sou como