Ayla
— Você enlouqueceu, minha filha? O que pensa em fazer se deixá-lo? O que vai comer? Onde vai morar? O seu pai não vai permitir que volte para casa e ...
— Mãe, eu não estou feliz. Ele me bate por qualquer motivo.
— Isso é normal. Acha que é a única? Os homens são assim, precisam extravasar a tensão do dia de...
— Eu não acredito que estou ouvindo isso. — Levantei indignada. Estávamos sentadas no sofá da sala da casa dos meus pais.
— Seu pai fez isso várias vezes e nem por isso o deixei. Somos felizes.
— Não são não. — Fiquei abismada. Como nunca percebi que algo assim acontecia. Enquanto andava de um lado para o outro na sua frente, recordei vários momentos que sugeriam os maus-tratos; as constantes marcas no rosto e corpo dela que geralmente aparecia e era associadas a tombos. Imaginar que minha mãe suportava a dor de uma agressão constante doeu muito. — Isso não é normal e não vou agir como se fosse. Eu posso trabalhar, não sou nenhuma inútil.
— Quem você acha que vai te dar