Matteo
A noite ia alta. Estávamos na cama, abraçados, mas, por incrível que pareça, vestidos. Chegamos ali aos beijos, mas sentíamos que precisávamos conversar e acabamos apenas em um silêncio de abertura para o que viria.
— Eu começo. — Aconcheguei Ayla ainda mais em meus braços de forma que ela poderia ter acesso total as minhas expressões sempre que quisesse, e eu as suas. — Quando eu era adolescente, atropelei a mãe de um amigo nosso, na verdade primo. — Ela me encarou atenta. — Não foi de propósito. Foi a porra de um acidente causado pela negligência do meu tio bêbado que me colocou no volante. Mas também não foi só culpa dele, eu fui tolo, quis me mostrar apto para um traste bêbado e deu no que deu. Meu tio e meus pais acabaram decidindo revelar quem estava no volante apenas para o meu outro tio, Vitor, marido dela, e para a polícia não contamos que o meu tio bêbado estava comigo.
— Você se sente culpado?
— Não queria. Porque eu amava aquela mulher quase como a minha mãe. Maria