Mundo de ficçãoIniciar sessãoO leilão terminou às onze e meia. Fiquei mais quarenta minutos, socializei o suficiente para não deixar a saída marcada, despedi-me de Marcus com a promessa vaga de um jantar na semana seguinte.
No elevador do hotel, sozinha, soltei um longo ar pelos lábios e olhei para o teto espelhado. A primeira fase havia funcionado. Entrara no ambiente, havia sido vista, fizera o contacto inicial. Tudo dentro do planeado. O elevador parou. As portas abriram. Kael Ashford estava no corredor, sozinho, como se soubesse exactamente qual elevador eu usaria. — Estás no décimo segundo andar? — perguntou, sem se mover para entrar. — Décimo terceiro — respondi, antes de pensar. *Maldito reflexo.* — Eu também. — Entrou. As portas fecharam. O silêncio no elevador era do tipo que tem peso. A espécie de silêncio que ocupa espaço físico e te obriga a ser muito consciente de quanto espaço tens e de quem está a ocupar o resto. Fiquei parada, olhos no painel iluminado dos andares, muito consciente da distância de talvez um metro entre nós. Do perfume dele, discreto, madeira e algo que não consegui nomear. Da forma como não precisava preencher o silêncio com palavras desnecessárias. — Sabias que estava neste andar — disse. Não foi uma pergunta. Mantive os olhos no painel iluminado enquanto o dizia, pois não estava disposta a pagar por qualquer olhar. — Sim. — Como? — Agora olhei. — Marcus reservou o quarto para ti. Ele costuma usar o décimo segundo. Estás um andar acima. — Uma pausa. — Fácil de descobrir. — Porque quiseste descobrir? O elevador chegou ao décimo terceiro andar. As portas abriram. Ele virou-se para mim, e havia algo no olhar dele que não havia estado lá durante toda a conversa no salão — ou havia estado, e eu havia me recusado a nomear. — Porque quis — disse, simplesmente, sem o sorriso que a maioria dos homens colaria numa frase assim para a tornar mais segura. O que aconteceu depois, diria para mim mesma nas semanas seguintes, foi uma série de escolhas. Escolhi não entrar imediatamente no quarto. Escolhi ficar no corredor, a um metro dele. Escolhi não encerrar a conversa com a frieza profissional que tinha treino de sobra para usar. E ele escolheu dar um passo na minha direcção. Apenas um. Deixando a escolha seguinte completamente nas minhas mãos. Devia ter entrado no quarto. Em vez disso, abri a porta e fiquei parada com a mão na maçaneta. Não o convidei com palavras imediatamente, apenas mantive a porta aberta, que era uma forma de convite que ainda me deixava a opção de dizer que não tinha sido nada disso, então disse: — Queres entrar? O quarto era neutro e elegante, como todos os quartos de hotel de luxo — o mesmo que poderia estar em qualquer cidade do mundo. Mas quando a porta se fechou atrás de nós, deixou de ser neutro. O ar mudou de qualidade, ficou mais denso, mais presente. Ashford não se apressou. Não havia urgência precipitada nele, nenhum movimento brusco, nenhuma das táticas masculinas que aprendi a antecipar e neutralizar ao longo de anos. Ficou de pé, a olhar para mim, com aquele olhar que lia coisas que não estavam escritas na superfície. — Não estás nervosa — disse. Era uma observação, não uma pergunta. — Raramente estou. — Isso não é o que parece. Cruzei os braços levemente. — O que parece? — Parece que estás a perguntar a ti mesma se estás a cometer um erro. A precisão daquilo atingiu-me como algo físico. Descruzei os braços. — Toda a gente se pergunta isso. — Não toda a gente. — Deu outro passo. — Só quem sabe exactamente o que está a fazer e não tem a certeza se quer fazê-lo. Não respondi. Não havia resposta que não revelasse demasiado. Chegou perto o suficiente para que eu precisasse erguer levemente o rosto para o manter na linha do olhar. A mão dele alcançou o meu rosto — não agarrou, não segurou, apenas tocou, a ponta dos dedos na linha do maxilar, levíssima, como uma pergunta que não precisava de palavras. *Maldito sedutor. * Fechei os olhos por meio segundo. Quando os abri, a mão dele continuava onde estava, não tinha avançado, não tinha recuado, e a resposta já estava tomada. Ergui um pouco mais o rosto e deixei um leve beijo em Ashford, que entendeu o recado, segurou o meu rosto e o beijo leve tornou-se em algo mais urgente, mais apreensivo, o tipo de beijo que não deixa muita margem para reconsideração. Sua língua se completou com a minha numa perfeita dança e seus lábios colados aos meus são tão quentes, que quando ele os separa, gemo inconformada. No entanto um tremor se apodera de mim ao sentir leves mordidas na lateral do meu rosto, aos poucos ele deixa leves e castos beijos sobre ele, até descer para o meu pescoço. Meu jardim estava florescendo. Eu estava completamente excitada e tinha certeza de que minha expressão exalava isso. Ele por outro lado, também me olhava com o desejo ardente nos seus olhos, e então num acto sagaz me beijou novamente. Ainda agarrados desesperadamente nos despimos um ao outro. Apoiando meus pés um no outro, tiro os saltos sem me afastar dele ou soltar os seus lábios que parecem querer me sugar de tanta ferocidade. Ele retirou o meu vestido para ficar só de calcinha e rapidamente me carregoh para seu colo, enquanto dava os curtos passos até a cama me deitando nela logo em seguida. Senti a respiração quente e ofegante dele, e num gesto inconsciente me esfreguei mais nele, sentindo minha intimidade formigar. Ele parou por um instante e me olhou atenciosamente, enquanto ofegava. E então, com uma mão ele apalpou um seio meu carinhosamente, enquanto abocanhava de forma sexy o outro. Lentamente passoy a língua sobre o mamilo fazendo alguns círculos no mesmo. Sedenta de prazer enlacei com minhas pernas a cintura dele, passando minhas mãos por suas costas até ao seu cabelo, tão escuro quanto o meu, onde despejei algum carinho. Posteriormente, ele faz o mesmo com o outro seio, começando a distribuir beijos e algumas mordidas sobre minha barriga, enquanto desce até meu baixo ventre. Minha intimidade pulsa querendo mais. Num movimento rápido comecei a retirar minha calcinha e ele terminou esse trabalho, por fim me olhando com malícia, enquanto retira sua própria calça e cueca boxer. A intimidade dele estava erecta e se eu não quisesse mais ou soubesse o quanto poderia caber em um aparentemente pequeno órgão, ficaria um pouco assustada. Às vezes era difícil de acreditar que um órgão se metia entre as minhas pernas e era incrível. Percebendo a nudez de nós dois, me aproximei logo atacando os lábios dele que me receberam de bom grado. Minhas mãos passeiam por seu corpo, como se estivessem trilhando um caminho. Também sinto suas mãos acariciando cada pedaço de mim, como se precisasse me conhecer de todo. Seus lábios novamente escapam de mim, novamente trilhando meu corpo enquanto marcas são deixadas para trás. Ele me deitou na cama e se encaixou entre as minhas pernas. Ele olhou-me como se pedisse a minha permissão e apenas acenei, relaxando um pouco sobre o travesseiro. Então senti sua intimidade entrando lentamente em mim, o ar parecia ter sido sugado de nós dois a essa altura Ele começou devagar. Uma estocada, duas estocadas, três estocadas… Sinto um pequeno ardor, mas tudo se torna apenas uma miragem, quando o prazer toma conta de cada pedaço de mim. Minhas pernas se encaixam ao redor dele e suas mãos seguram minha cintura firmemente, tomando controle do acto. Inevitavelmente, senti minhas órbitas girarem, gemi alto e arqueei as costas segurando seu cabelo com força. Após longos minutos e numa sincronia perfeita, senti uma explosão imaginada em todo o corpo e gozamos juntos. Um leve tremor me dominava. Com a respiração ofegante, ele deitou-se ao meu lado e ficamos em silêncio por alguns segundos, recuperando o fôlego. O que aconteceu entre nós naquela noite foi diferente de qualquer coisa que havia catalogado antes, e eu havia catalogado muita coisa. Não havia urgência descuidada nem distância protocolar. Havia algo que não consegui nomear no momento e que passei semanas a tentar evitar nomear depois: presença. Uma atenção absoluta, o tipo que te faz sentir que és a única coisa que existe num raio de um quilómetro. Ashford aprendia-me enquanto me tocava. E isso, compreendi muito tarde, havia sido o primeiro erro. Adormeci antes de planear adormecer. Contra todas as regras que havia construído para mim mesma ao longo de anos de trabalho que não admitia descuido, contra o protocolo e o instinto de sobrevivência que me havia mantido inteira até ali, o meu corpo simplesmente decidiu, naquela cama num quarto de hotel no décimo terceiro andar de um hotel em Mayfair, que estava seguro o suficiente para descansar. Foi o último pensamento coerente que tive antes de ceder ao sono: que havia algo profundamente errado com aquela situação. Que Kael Ashford era perigoso de uma forma para a qual não me havia preparado. E que era tarde demais para isso importar.






