Mundo de ficçãoIniciar sessãoO restaurante ficava bem em frente à empresa. Depois que as outras duas pessoas se sentaram, Isabela puxou sua cadeira e sentou-se em frente a Catarina Viana. Olhar para o rosto de Catarina fazia com que perdesse o apetite, e olhar para o rosto de Maison fazia com que perdesse ainda mais. Entre dois males, ela escolheu o menor. Além disso, ela não havia deixado de notar a aliança no dedo anelar de Maison; parecia combinar com a que Catarina usava.
O garçom anotou os pratos, e eles foram servidos meia hora depois. Catarina parecia genuinamente concentrada, fazendo perguntas sobre algoritmos durante a refeição. Isabela respondeu a cada uma. Eram conhecimentos básicos para ela; mesmo sem o Diretor Carili mencionar, ela supunha que o doutorado de Catarina fora focado em hardware.
No meio da refeição, Catarina foi ao banheiro. Aproveitando o momento, Maison pegou a chave do carro e a empurrou para o centro da mesa. Isabela percebeu: não era à toa que ele insistira no jantar; era para devolver as chaves do "McQueen". Ele escolheu aquele momento específico — teria medo de que Catarina ficasse brava se visse?
— Obrigada — disse Isabela ao aceitar.
Maison ponderou, tirou um cartão bancário da carteira e o empurrou para ela.
— Isabela, agora que estamos casados, não precisamos mais pedir dinheiro emprestado a ninguém.
Suas palavras eram incoerentes; Maison provavelmente pensou que ela tinha outro homem e estava lembrando-a de não manchar sua reputação. Isabela devolveu o cartão:
— Não peguei dinheiro emprestado de ninguém.
Antes que ele pudesse dizer algo, Catarina voltou.
— Desculpe a demora, Isabela. Agradeço seu tempo. Se eu tiver dúvidas no futuro, posso consultá-la novamente?
Ao ver o rosto sorridente de Catarina, Isabela sentiu uma irritação inexplicável.
— Hum.
— Dois mil por hora, certo? Vou transferir para você agora — disse Catarina, pegando o celular.
O olhar de Maison era frio. Isabela fingiu não se importar, esperando resolver tudo ali para ter paz. Quando o dinheiro caiu, o anel de diamantes na mão de Catarina brilhou intensamente. O restante da refeição transcorreu sem problemas. Ao final, Isabela pegou as chaves e foi embora dirigindo sozinha.
Catarina entrou no carro de Maison. Ele olhou para a mão dela e perguntou:
— Onde você conseguiu o anel de diamante?
— Minha amiga abriu uma joalheria. Achei bonito e comprei para apoiá-la — respondeu Catarina rapidamente.
Maison permaneceu em silêncio por um longo tempo, depois entregou uma pasta a ela:
— Transfira a propriedade daquela casa para o seu nome.
Uma expressão de surpresa e um sorriso cruzaram o rosto de Catarina. Ela pensou que Maison convidara Isabela para jantar justamente para insinuar a possibilidade de um divórcio precoce. Nenhuma mulher se apegaria ao marido após vê-lo usando o anel de outra.
Isabela dirigiu seu amado carrinho branco de volta ao Condomínio Fenglin. Ao entrar, ouviu a voz de Killian:
— Mamãe, esta é a primeira vez que você chega tarde. Quem é tão importante assim?
Killian lia uma revista científica no sofá. Isabela, com um sorriso presunçoso, mostrou o celular:
— Não é quem, mas o quê. Ganhei dois mil reais hoje sem esforço, o suficiente para pagar metade do aluguel.
Killian ajudou-a com o casaco.
— Parece que a sorte da nossa família está prestes a mudar; nossa fortuna vai dar uma guinada.
Isabela concordou. Se Catarina queria irritá-la, por que não lucrar com isso? O importante era a vida dela com o filho. Nesse instante, ela recebeu uma mensagem de Mônica, agente do modelo mirim Killian: a sessão de fotos do fim de semana fora adiada.
— A propósito, Killian, sua madrinha (Natasha) perguntou se você faria um ensaio para a marca dela, mediante pagamento.
— Quando? — perguntou ele.
— No próximo fim de semana, o mesmo para o qual a outra sessão foi adiada.
— Claro, a madrinha é a prioridade — decidiu Killian sem hesitar. Ele sempre teve predileção por Natasha, que cuidava de seu guarda-roupa desde o nascimento.
Isabela jogou o celular de lado e foi para o quarto. Logo, recebeu outra mensagem Mônica, agente : A marca original não pôde coordenar e cancelaria a sessão com Killian, pagando a multa por quebra de contrato. Isabela foi contar ao filho.
Killian tinha acabado de sair do banho com um pijama de desenho animado. Isabela sentou-se na beira da cama:
— Venha, deixe a mamãe colocar uma máscara facial em você.
Ela mesma criara aquela máscara em laboratório, específica para a pele sensível de crianças. Killian era um grande fã das pesquisas da mãe.
— A sorte realmente mudou — disse ele.
— O que quer dizer? — perguntou Isabela.
Killian ergueu os olhos:
— A marca para a qual filmaríamos este fim de semana é o Grupo Thorne. Eles são muito ricos, e a multa por quebra de contrato é o triplo do cachê.
Isabela ficou sem palavras. Ela não sabia que Maison estava por trás daquelas fotos.
— Nesse caso, foi melhor termos nos deixado esperando — acrescentou Killian seriamente.
Isabela não objetou. Já que decidira se afastar, o nome "Thorne" deveria aparecer menos em sua vida. O jantar servira para lembrá-la de que seu casamento com Maison era apenas uma parceria vazia. Sem aliança, sem amor. Ela não deveria ter tentado salvá-lo.







