Mundo de ficçãoIniciar sessãoMudar o foco do grupo de volta para a Cábralia era uma tarefa gigantesca. Maison passou a noite na empresa e teve várias reuniões logo cedo; ele só voltou ao escritório ao meio-dia. Ao longe, viu um envelope sobre sua mesa. Ao lado, havia um bilhete de Armando, explicando brevemente que Isabela viera devolver o dinheiro naquela manhã.
Maison franziu a testa. Os salários dos funcionários de P&D não eram altos, então de onde ela tirara tanto dinheiro? Ao sentir a textura dura dentro do envelope, ele parou. Era ouro. Após analisar, constatou ser verdade. Como presidente do Grupo Thorne, ele já aceitara transferências, cheques e obras de arte, mas nunca ouro. O que ela estava pensando?
Houve uma batida na porta e Armando entrou com pastas.
— Presidente Maison, estes são os documentos pendentes.
Maison assinou uma página e perguntou casualmente:
— Ela disse mais alguma coisa antes de ir embora?
Armando supôs que ele se referia à esposa e respondeu:
— Não, a senhorita Isabela explicou a situação e saiu. Devia estar ocupada com o trabalho.
O silêncio reinou. Armando olhou para o anel na mão de Maison e perguntou timidamente:
— Sr. Maison, devemos chamar o advogado Otávio?
O advogado Otávio era um gênio em direito de família e negócios. Maison bateu os dedos na mesa:
— O mais rápido possível.
— Sim, senhor. Além disso, a transferência da cobertura para o nome da Srta. Catarina foi concluída.
— Hum — Maison jogou o ouro na gaveta.
Armando saiu e notou uma secretária se maquiando; ela era a informante de Catarina. Provavelmente fora ela quem vazara a notícia da compra da casa. Armando não se importava; se Maison ordenara o divórcio e dera uma casa a Catarina, ela logo seria a nova esposa do presidente. Não cabia a ele interferir.
Na hora de ir embora, Isabela saiu no horário previsto. Com anos de casa, ela raramente fazia horas extras, já que o Diretor Carili a isolava de projetos importantes. Ela ganhava pouco mais de dez mil reais, o que em Cábralia mal cobria o aluguel e as despesas com Killian. O Diretor Carili não a demitia porque precisava dela para resolver os problemas técnicos que mais ninguém conseguia — ela fazia o trabalho duro, e os outros levavam o mérito.
Após alguns passos, Catarina a alcançou:
— Isabela, você gostaria de jantar comigo?
— Não precisa, tenho algo para fazer — recusou Isabela imediatamente. Pensar em comer com Catarina tirava seu apetite, e Killian já devia estar preparando o jantar com o que a Tia Angelina deixou pronto.
— Não conheço bem o departamento e queria tirar dúvidas — insistiu Catarina. — Posso pagar pela consultoria.
Pagar? Isabela parou. Ela estava tentada.
— Já que você precisa, vamos amanhã ao meio-dia. Minha tarifa é de dois mil reais por hora — acrescentou Isabela casualmente.
O sorriso de Catarina sumiu por um instante. Dois mil reais? Isabela não tinha medo de que Maison descobrisse esse comportamento? Isabela não se importou. Estava prestes a sair quando viu o sorriso de Maison desaparecer instantaneamente ao longe. Ela nem percebera quando ele se aproximou.
Perto dali, seu carro, o "McQueen", estava estacionado. O fato de Maison ter devolvido o carro pessoalmente a surpreendeu, mas ela manteve a compostura. Ele devia ter vindo buscar Catarina. Isabela virou-se para sair.
— Isabela, vejo você amanhã ao meio-dia — gritou Catarina.
— Que horas são ao meio-dia? — perguntou Maison.
Catarina explicou que teria uma consultoria com Isabela.
— Você tem um emprego de meio período? — questionou Maison.
Isabela percebeu que ele suspeitava da origem dos R$ 200.000.00 reais.
— Eu não tenho um emprego de meio período — respondeu ela.
Maison olhou para ela por um tempo e disse:
— Vamos jantar juntos.
Isabela ficou atônita. Ele a estava convidando na frente de Catarina?
— Então vamos juntos, Isabela — reforçou Catarina com um sorriso.
Isabela hesitou, pensando em resolver tudo logo.
— Preciso perguntar — disse ela, afastando-se para fazer uma ligação para Killian.
Catarina observou a cena, curiosa:
— Maison, você acha que Isabela tem outra pessoa?
O rosto de Maison ficou sombrio e ele permaneceu em silêncio. Após confirmar que o jantar em casa ainda não começara, Isabela voltou e disse:
— Só tenho uma hora.
Maison caminhou em silêncio até o restaurante, com uma aura fria. Catarina aproximou-se de Isabela e disse:
— Vamos tentar levá-la para casa o mais rápido possível.
Isabela resmungou interiormente: "Não é à toa que são namorados de infância; ambos sabem como irritar alguém."







