MOLLY DAVIS
— Felizmente, a bala não o atravessou — disse o médico, levantando o projétil deformado, segurando-o com uma pinça longa antes de deixá-lo cair numa bandeja de metal —, mas, devido a toda a sangue que perdeu e aos golpes que recebeu, ele precisa de muito descanso. Não pode fazer esforços ou as feridas vão reabrir.
Enquanto o médico explicava a Sergei e Nadia, em pé no meio da sala, eu estava na cama, sentada ao lado de Alexei. Ele dormia profundamente, ainda cheio de sangue, mas tranquilo, com a cabeça apoiada no meu colo e os braços envolvendo as minhas pernas.
Com as costas apoiadas na cabeceira, acariciei o seu cabelo e contornei o seu rosto. Cuidaria das suas feridas com ternura. O meu coração implorava para enchê-lo de amor, todo o amor que ele parecia não ter tido antes, nem mesmo durante a infância.
Ele podia ser um homem grande e forte, mas no fundo era uma criança assustada, explodindo de raiva porque não sabia outra maneira de lidar com as coisas.
— Nadia, acompa