ALEXEI MAKAROV
Margot não se dignou a dizer-me se o auditor me tinha dado luz verde para entrar na prisão, mas o tempo continuava a passar e eu não ia ficar à espera. Vestia uma camisola preta, escondendo todas as feridas que estavam a cicatrizar, mas não só isso, também os beijos que me tinham curado. Os lábios de Molly pareciam ter um bálsamo mágico que me fazia sentir diferente, que tirava qualquer dor e me dava oxigénio. Era como finalmente tirar a cabeça da água depois de passar anos debaixo do mar, seguindo as correntes que me arrastavam.
Então senti a sua presença. A sua mera existência chamava-me, como um poste de luz chama uma traça. Eu não precisava vê-la, mas os meus sentidos a percebiam imediatamente e o meu corpo reagia, procurando-a, tentando alcançá-la de qualquer maneira, fosse deleitando-me com o seu cheiro, admirando a sua beleza ou tocando-a, mesmo que fosse apenas um toque.
— Por que você parece mais confortável esta noite? — ela perguntou com uma expressão séria a