Mundo ficciónIniciar sesiónEu daria qualquer coisa para ajudar Magie, faria tudo de novo, mas no fim não serviu de nada o meu momento. Eu matei um homem e eles se vingaram tentando me matar, atirando duas vezes. Se não tivesse me virado, nenhuma daquelas balas teria acertado minha coluna, eu com certeza teria morrido. Teria acertado algo vital, mas ao menos eu não estaria enfiado naquela maldita cadeira.
— Me diz de novo por que você está aqui? — questionei John a contragosto.
— Só vim passar um tempo com você.
Não queria ninguém atrás de mim, não queria fiscalização e muito menos uma enfermeira na minha cola. Mas eles continuavam insistindo, eu não tinha para onde fugir. Até mesmo a mãe de Magie me forçou a aceitar uma casa de presente, a porra de uma casa! Como se eu não tivesse a minha própria.
Mas Patrick, John, Sophie, e em especial Rosa, me obrigaram a me mudar, com a desculpa que eu poderia voltar para minha casa depois que eu me recuperasse. Aqueles filhos da puta faziam isso porque sabiam que eu não poderia andar novamente, nunca mais conseguiria me levantar e andar sozinho.
— Pode ir embora, porque eu não quero você aqui! A única coisa que preciso é saber quando Magie acordar e pronto.
Estava feliz que meu amigo e a pequena tinham sido salvos finalmente, foram dias difíceis de preocupação, principalmente com o bebê. Mas agora eu só queria ver ela acordada novamente e bem. Já tinha ido visitar Alejandro e ele foi categórico em me pedir que fosse até uma loja e o ajudasse a escolher uma aliança. Já que ele não podia deixar o hospital, eu fiz isso, gravei metade dos anéis da loja até que ele escolhesse o anel perfeito para a loirinha. Agora só precisava esperar mais um pouco.
Eu estava feliz por eles, Magie tinha sofrido muito longe de Ale e eu sei que ele sofreu do mesmo jeito. Os dois mereciam ser felizes e se amavam, então era mais que perfeito. Infelizmente algumas pessoas não tinham nascido para isso, como eu, ou minha mãe. Acho que a maldição que minha vó falava para ela, que nós não nascemos para ser amados, era verdade.
Mas uma batida na porta me tirou dos meus pensamentos. Eu só queria um pouco de paz e tomar meu banho de sol, antes de me arrastar de volta para a cama.
— Quem diabos você trouxe para acabar com meu sossego? Eu espero que não seja mais uma enfermeira ou eu vou jogá-la na rua como fiz com as outras!
O idiota apenas me olhou e saiu sem dizer nada, ele com certeza tinha trazido outra enfermeira. Nenhum deles aceitava que eu não queria nem precisava de uma babá.
Eu só queria poder ficar sozinho e remoer um pouco a minha vida de merda, antes de dar um jeito de trabalhar mesmo em cima daquela coisa. Ainda estava de olhos fechados quando ouvi John voltar e não estava sozinho.
— Aquele é o Luke! — o ouvi dizer e quis bufar ou atirar algo no idiota, mas apenas fiquei quieto, fingindo que eles não estavam ali.
— Esse... Esse é o homem que eu vou ter que cuidar? — a mulher gaguejou e eu quis abrir meus olhos para vê-la, algo na voz dela me deixou intrigado, mas o melhor era continuar fingindo que não tinha ninguém ali.
— Sim, esse mesmo! Não existe nenhum velho Luke, só aquele ali. — Velho? Aquela era nova, de onde tinham tirado essa de velho? Isso já era demais!
— Me disseram que era um velho ranzinza e amargurado, que chutava todas as enfermeiras para fora...
— Ranzinza sim, amargurado só se for de ter que aguentar gente idiota a minha volta, chuto todas para fora com toda certeza com a perna que não consigo mexer. — gritei com deboche, dando um basta naquela conversa e me virando para eles. — Mas velho querida, é uma coisa que não pode me chamar.
Os olhos dela estavam cravados em meu corpo, esquadrinhando cada pedaço com os olhos de admiração, como todas as enfermeiras antes dela fizeram. Mas isso só me irritava ainda mais, porque me lembrava do que eu nunca mais poderia fazer.
Ao menos a admiração dela me deu tempo de olhar seu corpo de cima a baixo, analisando ela sem ter que disfarçar. A mulher era baixinha, mas o corpo tinha curvas e eu notei isso mesmo com as roupas dela, o quadril largo, a bunda empinada e o par de seios que parecia se espremer dentro do sutiã apertado.
— Com toda certeza, não tem nada de velho aí. — Ela sussurrou e inclinou a cabeça de lado, tentando me olhar melhor, fazendo os cabelos longos e castanhos caírem em ondas para o lado.
Os olhos dela eram duas pedras verdes enormes, brilhando, eu só não sabia se era pelo sol ou pela imagem à sua frente.
— Que bom que percebeu isso, agora já pode ir embora, sou capaz de me cuidar sozinho! — exclamei, levando as mãos às rodas da cadeira, me colocando em movimento, querendo olhá-la mais de perto antes de demiti-la.
— Claro que pode, estar em uma cadeira não te torna incapaz de nada...
— Apenas de me levantar, andar e ter uma ereção! — a interrompi novamente e dessa vez ela engasgou, começando a tossir, mas sem conseguir evitar olhar para o meu pau.
— Você vai poder andar, Luke, para com essa merda! Os médicos disseram que você tem muitas chances de voltar a andar.
— Sim, eles só não conseguem fazer porra nenhuma para me ajudar! — gritei irritado e cansado daquela repetição otimista deles. — Problemas psicológicos, trauma. Eu tomei dois tiros, passei por cirurgias, vai por mim isso não é sobre trauma!
Empurrei a cadeira passando no meio dos dois e não me importando nenhum pouco em ser educado, aquela era a minha vida, a merda do meu sofrimento. Porque eles simplesmente não me deixavam encarar isso como eu queria, do mesmo jeito como sempre encarei a vida, de forma bem realista e nenhuma pouco sonhadora?
— Na verdade, isso é uma coisa boa, significa que você pode voltar a andar antes do que pensa. — a mocinha irritante falou nas minhas costas. — Vai depender da sua vontade de voltar a andar, seu cérebro pode comandar seu corpo e ajudar seu corpo a se recuperar, você só tem que pensar positivo!
Respirei fundo, absorvendo toda aquela bosta de positividade e trabalhar para que meu cérebro me ajudasse. Tudo aquilo não passava de uma ideia estúpida.
Me virei lentamente e a encarei, querendo arrancar o sorriso esperançoso do rosto dela.
— Como é mesmo o seu nome?
— Monalisa Clark! — ela respondeu, abrindo ainda mais o sorriso e me estendendo a mão.
Então uma ideia passou por minha mente e eu retribuí o sorriso, aceitando a mão e apertando de forma inocente, mas o olhar dela mudou no exato segundo em que eu apertei mais forte, antes de puxá-la e fazendo-a cair sentada em meu colo.
O corpo dela se acomodou contra o meu, como se estivesse no lugar mais confortável, ou como se nossos corpos se encaixassem perfeitamente. Mas eu não era hora de pensar nisso!
— Dona Monalisa Clark, obrigada pela visita, mas eu não preciso de uma babá ou de uma enfermeira. Então tenha um bom dia.
Abri a porta e envolvi a cintura dela, pronto para jogá-la do lado de fora, deixando claro que não a queria aqui.
Mas ela agarrou meu pescoço no mesmo instante em que eu ergui seu corpo, os braços apertados em volta de mim nos deixou perigosamente perto, seu rosto se esfregou contra o meu, e nossas respirações se misturaram quando ela sussurrou.
— Vai ter que aprender a lidar comigo, senhor Luke, porque eu não pretendo ir a lugar nenhum!







