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EPÍLOGO — Cinco anos depois

EPÍLOGO — Cinco anos depois

Algumas promessas só fazem sentido quando o tempo passa.

Hanna Miller

Eu sempre gostei de multidões.

Ainda assim, quando as portas do pequeno salão se abriram, meu coração não disparou por medo — mas por reconhecimento.

O lugar era simples.

Madeira clara, janelas grandes, luz natural entrando sem pedir licença. Nada de luxo exagerado, nada de espetáculo. Era… nós.

Megan me esperava ao lado do altar improvisado, os olhos marejados e o sorriso que sempre dizia eu te avisei. Adam estava logo atrás dela, elegante demais para alguém que ainda deixava as meias jogadas pela casa.

— Ele tá um desastre emocional — Megan cochichou. — Nunca vi Ryan assim.

Sorri.

— Nem eu — respondi.

Respirei fundo antes de dar o primeiro passo.

O vestido não era o que eu sonhei quando tinha vinte anos.

Era melhor.

Sem rendas dramáticas, sem cauda longa. Algo que me deixava confortável, firme, inteira. Algo que não escondia quem eu era — só acompanhava.

E então eu o vi.

Ryan estava de pé, mãos entrelaçadas à frente do corpo, terno escuro, postura tensa como antes de um jogo decisivo. Mas quando nossos olhares se encontraram…

Ele sorriu.

Não o sorriso confiante de capitão.

Nem o torto de quem sabe provocar.

O sorriso de casa.

Cada passo até ele carregava memórias.

A dor.

O medo.

A queda.

A escolha de ficar.

Quando parei diante dele, Ryan respirou fundo como se tivesse passado cinco anos segurando o ar.

— Oi — ele disse, baixo.

— Oi — respondi.

O juiz de paz começou a falar. Palavras bonitas sobre tempo, parceria, construção. Eu ouvi algumas. Outras passaram direto.

Porque Ryan segurava minha mão como se ainda estivesse aprendendo — com cuidado, com presença, com verdade.

— Você aceita… — a voz do celebrante continuou.

Ryan não desviou o olhar de mim.

— Aceito — respondeu, firme.

Quando foi minha vez, senti algo quente subir pelo peito.

— Aceito — disse. — Todos os dias.

Trocar alianças foi quase engraçado. Ele estava nervoso demais para encaixar a minha de primeira. Rimos. O público riu.

E ali eu entendi:

o amor não precisava ser perfeito para ser eterno.

Quando ele me beijou, não houve urgência.

Houve certeza.

Ryan Spencer

Eu pensei que vencer campeonatos tinha sido o momento mais intenso da minha vida.

Eu estava errado.

Nada se compara a ver Hanna atravessar um espaço inteiro só para escolher você.

Cinco anos tinham passado rápido demais e, ao mesmo tempo, com peso suficiente para nos moldar. Houve mudanças, discussões, dias difíceis. Houve silêncio, terapia, decisões adultas que não aparecem em histórias bonitas.

Mas houve presença.

Quando a cerimônia terminou e as pessoas começaram a se aproximar, Hanna encostou a testa na minha.

— Você está bem? — ela perguntou.

Sorri.

— Estou onde sempre quis estar — respondi.

Ela riu baixo.

— Dramático.

— Apaixonado — corrigi.

Mais tarde, quando o salão já estava quase vazio e a noite tinha esfriado, escapamos para fora. Sentamos nos degraus de madeira, exatamente como fazíamos no campus anos atrás.

— Você lembra do primeiro dia que me viu? — ela perguntou.

— Lembro — respondi sem hesitar. — Terceira fileira. Moletom grande demais. Rindo alto.

Ela me olhou, surpresa.

— Você nunca esqueceu, né?

— Nunca — falei. — Porque foi ali que tudo começou.

Hanna apoiou a cabeça no meu ombro.

— Ainda tem medo? — perguntou.

Pensei por um instante.

— Tenho — admiti. — Mas agora eu sei ficar mesmo assim.

Ela sorriu, fechando os olhos.

— Então vamos ficar — disse.

E ficamos.

Porque algumas histórias não terminam no “felizes para sempre”.

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