Leonardo acordou inquieto naquela manhã.
O lençol amarrotado ao seu lado deixava mais claro o vazio em que ele afundava dia após dia. Já fazia semanas desde a última vez que conseguira dormir sem sonhar com Clara gritando, com o som das grades batendo, com o olhar dela, entre a dor e o desprezo. A cela estreita da cadeia feminina onde Clara cumpria pena parecia mais sufocante a cada dia — mesmo ele estando do lado de fora. Era como se estivesse preso com ela, em outra forma de cativeiro: o da c