Renato Salles
Eu já não sabia quantos dias haviam se passado desde que cheguei àquele lugar. O cheiro forte da bebida me deixava leve, quase flutuando, e a cada prostituta que entrava no meu quarto nascia em mim um desejo estranho, não de prazer, mas de me satisfazer como se aquilo fosse uma forma de vingança por todo o tempo em que fui fiel à desgraçada da Raquel.
Naquele lugar, eu já não sabia distinguir se era dia ou noite. As horas pareciam se arrastar e, ao mesmo tempo, desaparecer. Não queria sair dali, porque sabia que, assim que cruzasse a porta da rua, a realidade voltaria a me atingir com força, me lembrando do quanto fui idiota — enganado pela mulher que me jurou amor eterno e pelo homem que dizia ser meu melhor amigo.
— No que está pensando, benzinho? — perguntou a prostituta ao meu lado, percebendo que eu encarava o teto há tempo demais.
— Em nada — respondi, sem emoção.
Ela me observou em silêncio por alguns segundos, como se tentasse decifrar o que havia por trás da min