Em Gaiola de Ouro

O quarto para onde fui levada não parecia uma cela de prisão, e isso me irritava ainda mais, era um espaço imenso, decorado em tons de creme, dourado e madeira nobre, no centro, uma cama king-size com lençóis de seda parecia um convite ao luxo, mas o ar ali dentro continuava pesado.

Assim que a porta foi trancada por fora, corri até a varanda, as portas de vidro duplo se abriram para a noite fria da Itália, olhei para baixo: uma queda de pelo menos quatro andares direto para o pátio de pedra, vigiado por homens armados que perambulavam com cães de guarda.

Fugir pulando não era uma opção, eu morreria na queda ou seria baleada antes de tocar o chão.

— Droga... — murmurei, apoiando as mãos na amurada de mármore e respirando fundo.

O som da fechadura estalando me fez girar nos calcanhares, eu me preparei para o confronto, esperando Dante, mas quem entrou foi uma senhora de cabelos grisalhos, usando um avental impecável e carregando um vestido em um cabide alto, atrás dela, duas garotas jovens seguravam caixas e toalhas.

— Boa noite, senhorita Galli — a mulher mais velha disse, com um tom de voz incrivelmente cortês. — Sou Elena, a governanta da casa. O Senhor Rossi pediu para que a ajudássemos a se preparar para o jantar.

— Eu não quero me preparar para nada. E não vou jantar com aquele homem — declarei, cruzando os braços e me mantendo firme perto da varanda.

Elena deu um sorriso triste, quase compassivo.

— Minha jovem... recomendo que guarde suas forças para quando realmente precisar delas, o Senhor Rossi não aceita recusas, e , acredite, é muito melhor estar na mesa de jantar com ele do que nas masmorras sob este castelo.

A palavra masmorras fez um arrepio frio descer pela minha espinha.

As garotas colocaram sobre a cama o vestido que trouxeram: um modelo de seda vermelha, com um corte impecável que desenharia cada curva do meu corpo, acompanhado por saltos altos e joias sutis, porém caríssimas.

— Ele acha que pode me vestir como uma boneca? — perguntei, a raiva queimando na minha garganta.

— Ele não a vê como uma boneca, senhorita — Elena respondeu enquanto ajeitava as dobras do tecido. — Dante Rossi não gasta tempo com brinquedos, se ele a trouxe para esta casa e mandou servir o jantar, significa que você é importante no jogo dele, agora , por favor... tome um banho, o Senhor Rossi odeia atrasos.

Fiquei sozinha no banheiro luxuoso alguns minutos depois, a água quente caindo sobre meus ombros devia me relaxar, mas só serviu para limpar o cansaço do dia horroroso que tive, enquanto me olhava no espelho, vendo as marcas nos meus pulsos de onde Dante havia me segurado mais cedo, tomei uma decisão.

Eu não ia chorar,não ia me fazer de coitada, se eu quisesse sobreviver àquele império e achar uma brecha para escapar, precisava encarar o leão de frente.

Vesti o vestido vermelho. Ajustei os saltos. No espelho, a garota assustada que havia sido arrastada de casa tinha desaparecido. Em seu lugar, havia uma mulher pronta para a guerra.

Quando a porta do quarto se abriu novamente, um guarda já me esperava no corredor para me escoltar.

— Por aqui, senhorita — disse ele, indicando a imensa escadaria que levava ao andar térreo.

A cada degrau que eu descia, o cheiro de comida refinada ficava mais forte, misturado ao aroma de vinho e charuto, meu coração martelava contra as costelas, mas mative o queixo erguido.

Cheguei à entrada da sala de jantar. As portas duplas de madeira pesada se abriram... e lá estava ele.

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