Cap. 4

Luana Muller.

Meu nome é Luana Muller, tenho dezessete anos, vivia com meus pais adotivos na Alemanha.

Mas foi no final do ensino médio que descobri meu destino, traçado pelo meu pai.

Meu próprio pai.

Me vendeu a um velho rico.

Ri amargamente.

Porque foi o presente de formatura que o meu pai me deu...

Parada na fila esperei meu nome ser chamado.

Meus colegas foram um de cada vez, alguns recebiam mais aplausos do que outros.

Família grande é isso, mais comemoração.

Mas eu estava feliz, as duas pessoas mais importantes na minha vida estariam aqui.

Minha mãe e meu... pai.

Cadê ele?

Só consegui ver minha mãe sentada quase no meio da plateia.

Mas em nenhum dos seus lados ele não estava.

— Luana Müller por favor venha receber seu diploma.

Meu nome foi chamado.

Caminhei com mãos trêmulas até o diretor.

Os aplausos eram altos.

Minha mãe estava em pé, com um sorriso no rosto.

Mas cadê meu pai?

Ele prometeu que vinha.

Peguei o diploma seguido por um abraço do professores e diretor.

Terminando levantamos nossos diplomas para cima e os pais foram ao êxtase.

Assovios.

Aplausos.

Gritos.

Sorri para minha mãe.

Corri até minha mãe e a abracei forte.

Meu coração estava batendo a mil.

— Meus parabéns minha filha. — ela me olhou com lágrimas em seus olhos — Estou muito orgulhosa.

— Obrigada! — Abracei ela forte.

Por segundos ficamos assim.

— Cadê o pai? — olhei para ela.

— Não faço ideia meu amor. Quando sai ele ainda estava em seu escritório. Ele disse que vinha.

Sorri amarelo olhando em volta.

Muita comemoração, famílias indo embora, mas nada dele.

— Vamos para casa? –— ela deslizou sua mão suave sobre meu rosto.

Assenti fechando meus olhos.

Quando chegamos a casa estava assustadoramente silenciosa.

Meu pai não estava em nenhum cômodo, o último que ficou para mim entrar foi seu escritório.

Abri meu diploma e entrei correndo.

— Pai de olá para sua futura nova advoga... — minha voz morreu em minha garganta. — Pai? — murmurei.

Ele estava bêbado.

Meu pai bêbado? Ele nunca bebê.

Documentos estavam espalhados pelo chão.

Um copo quase cheio ao seu lado e a garrafa quase vazia.

Seus braços estavam cruzados sobre a mesa apoiando sua cabeça.

Minha mãe passou feito um furacão ao meu lado.

— Heitor sua filha se formando e você bebendo de cair — Ela puxou a garrafa.

Ele levantou sua cabeça devagar.

Seu olhar vermelho e lacrimejando se fixou em mim.

Ele estava feliz? Mas parecia triste.

Sua boca se abriu, mas se fechou.

O que estava acontecendo?

— Perdão filha! — ele murmurou.

Travei.

— Eu sinto muito Luana. — ele continuou.

— Pai o senhor está me assustando? — falei baixo e minha mãe me olhou.

Minha mãe parou ao lado dele.

— Porque está pedindo desculpas para a nossa filha, o que aconteceu homem?

Ele olhou para minha mãe e as lágrimas escorreram.

Pai fala logo... arfei.

— Eu não podia deixar a empresa falir

Um frio passou pela minha espinha, não ficamos sabendo disso.

Ele me olhou e ficou quieto.

— Pai — me arrisquei — Tudo bem a gente entende. Eu posso arrumar um emprego antes da faculdade. — sorri.

— Não. Não. Não é isso — ele passou as mãos pelos cabelos

Senti as lágrimas inundando meus olhos.

Meu coração estava disparado, o que era então?

— Luana... — sua voz falhou — Filha.

— Fala Heitor! — minha mãe gritou com sua voz trêmula.

— Fiz um contrato — sua voz saiu baixa, parecia envergonhada — E... e o acordo foi a sua mão.

Fiquei momentaneamente sem ar.

Soltei meu diploma o olhando e ele caiu lentamente flutuando no chão.

Pisquei rápido enquanto as lágrimas escorreram...

— Pedi um ano filha. — ele continuou enquanto custei voltar a respirar — Eu... eu pensei que ia conseguir. — ele mexia nos papéis sobre a mesa, então parou e me olhou — Estava indo tudo bem, mas as ações caíram novamente. Gregório assinou um novo contrato comigo. — ele olhou para baixo — Apartir de hoje, você é esposa dele.

Travei.

— Não!! — minha mãe gritou.

Meu pai olhou para ela.

O impacto da mão dela foi tão forte que o barulho me fez pular no lugar.

Meu pai virou seu rosto violentamente para o lado.

Me senti num apocalipse, aquele sentimento de desespero de solidão antes de milhares de zumbis te atacar.

E seus pedaços serem puxados para lados diferente, enquanto grita até a morte.

Suspirei olhando para o chão...

— Como você ousa vender nossa filha assim?! — ouvi minha mãe gritar.

— Ela não é nossa filha!

Pisquei sentindo as lágrimas escorrer.

Olhei lentamente para meu pai.

Assenti, eu sabia que ele havia se arrependido na hora, mas...

— Luana — ele me chamou.

Sem forças me virei e saí...

Penso todas as noites que talvez seja por isso que ele me vendeu tão facilmente.

Não sou sua filha de sangue...

Ele respondeu por mim, assinou a autorização de casamento por eu não ter dezoito ainda.

Meu pai não poderia ter sido mais invasivo na minha vida...

Devagar essa música entra em meus ouvidos me causando repulsa.

Minha mãe não falava mais com meu pai como antes.

Ela não conseguiu vir para esse circo.

Ela implorou pelo meu perdão, eu entendo sua única filha, a filha que ela teve que adotar sendo submetida a chantagem para se casar com um homem muito mais velha.

Eu entendo ela e a amo por não comparecer.

Sei que vai doer menos.

Tantas pessoas engravatados que eu nunca vi na minha vida.

Sorriso falsos.

Meu pai me segurado e eu querendo correr o mais longe dele possível.

E lá no altar o homem... O senhor... o socio do meu pai que me comprou como se eu fosse mais uma ação para sua empresa.

Queixo erguido.

Terno impecável.

Seus olhos em mim pareciam quando o caçador havia encontrado sua caça.

Meu corpo se arrepiou a medido em que nos aproximávamos...

Meu pai me entregou para ele, seu toque foi... frio.

Minha pele formigou de um grito terrível.

Ele virou as costas para meu pai, que ficou com um sorriso fraco e a mão estendida para ele.

Engoli em seco.

Meu pai passou a mão em seu termo e tomou o seu lugar.

O homem segurou o véu.

Não educado.

Não amoroso.

Não homem dos sonhos.

Rápido.

Preciso ele lançou o véu para trás.

Seus olhos antes satisfeitos, se tornaram escuros.

Enquanto seu rosto se retorceu em desapontamento.

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