Fico parada em frente à casa por mais tempo do que deveria, como se o simples ato de encarar aquela fachada pudesse, de alguma forma, devolver tudo ao lugar certo. O portão continua o mesmo, a pintura um pouco mais desgastada, as janelas fechadas. A placa de “vende-se” fincada no jardim parece um insulto silencioso, quase pessoal, como se alguém tivesse arrancado um pedaço da minha história e colocado um preço em cima.
Engulo em seco, sentindo um nó subir pela garganta enquanto memórias vêm