Capítulo 59 — O que eu disse ao meu filho sem que ele pudesse me ouvir
(Ponto de vista: Sofía)
A noite caiu com uma serenidade quase injusta. Aquele tipo de calma que irrita, porque chega justamente quando tudo dentro de você está tremendo. Depois do diagnóstico. Depois do abraço. Depois das palavras de incentivo e das verdades difíceis.
O mundo parecia seguir como se nada tivesse acontecido. Mas, para ela, tudo havia mudado. Estava em casa. Sozinha. Deitada na cama, com o abajur aceso. Ao seu lado, um pequeno caderno de capa de couro, aberto em uma folha em branco. Com uma mão, acariciava o ventre; com a outra, segurava a flor. Sim. Aquela. A que ele tinha deixado.
Cinco meses. Cinco meses batendo dentro dela. Cinco meses de medo, de amor, de incerteza. Cinco meses de um vínculo que não se explica. Se sente.
Ela pigarreou e, sem perceber, começou a falar em voz baixa. — Olá, meu amor… meu pedacinho de luz. Uma lágrima escorreu por sua bochecha. E ela não a enxugou. — Eu sei