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Porra... esse dia só piora!
Imagine aqueles dias que começam uma bosta e, com o passar das horas, as coisas só vão ladeira abaixo. Bom... bem-vindos ao meu dia de hoje! Ok, ok... acordar ao lado de uma mulher gostosa e nua não foi ruim, mas não lembrar de absolutamente nada da noite anterior deveria ter sido um alerta de que meu cérebro gostaria de apagar alguma informação. Ou seja: eu deveria ter fugido para as montanhas, mas não fiz. EU ODEIO GRITOS! Ainda mais aquele típico escândalo fingido, como se a pessoa precisasse afirmar seu desempenho durante o sexo. Isso não é sexy, muito menos satisfatório. E... droga! A mulher berrou. Mas berrou tanto que meus ouvidos ficaram zumbindo por horas. Até agora não sei como meus vizinhos não chamaram a polícia, porque tenho certeza de que nem toda a vedação acústica da minha cobertura foi suficiente para abafar toda aquela "performance". Poxa... eu até teria agradecido a interrupção. E depois do show de rock pesado que perfurou meus tímpanos, a coisa declinou de vez. Tentar ser sutil e dispensar a mulher — que, para início de conversa, eu nem sabia o nome — dizendo que estava atrasado para uma reunião não adiantou. Falar que eu iria organizar algumas coisas, mas que era só encostar a porta quando saísse, funcionou ainda menos. A maldita escandalosa me olhava e sorria coberta por uma falsa doçura, como se fôssemos íntimos, enquanto forçava uma aproximação nada desejada. Eu estava quase desistindo da minha educação; depois das minhas inúmeras tentativas de me livrar dela, a criatura não desistia. Dei aquela que achei que seria a última cartada: disse que iria tomar um banho SOZINHO, mas que ela poderia ficar à vontade para se arrumar e ir EMBORA. — Fique tranquilo, benzinho. Eu não estou com pressa. Pode tomar seu banho que eu vou me apossar da cozinha e, como sou boazinha, te faço um café — falou a última parte sussurrando, como se me contasse um segredo, enquanto passava as unhas vermelhas compridas pelo seu colo desnudo e piscava os olhos lentamente. Em qualquer outro momento eu acharia isso sexy, mas o clima não era mais esse. Nem de perto. Alguém precisa contar para ela que sexo casual não é intimidade. É SÓ SEXO! As pessoas fodem, gozam e vão embora. Pronto! CASUAL! Me livrar da doida virou meu objetivo de vida. Precisando pensar com mais calma, fui para o meu banheiro, tomei um banho frio e decidi que esse era só um obstáculo e que tudo iria melhorar. Me preparei para isso. Afinal, a galera "zen", o povo "good vibes", aqueles que batem palmas para o Sol, sempre dizem que pensamentos positivos atraem coisas boas. Esse virou meu novo mantra. Foi pensando nesse meu momento de glória que me armei: coloquei meu terno favorito, cinza, feito sob medida da Brooks Brothers, meu Rolex, calcei meus sapatos Stefano Bemer, elegantes e confortáveis, e parti para a guerra. Afinal, eu não sou homem de aceitar derrotas com facilidade. Saí da minha suíte com destino à cozinha e, para minha surpresa, a senhorita "Sem Nome"... tá, ela deve ter um nome, mas eu não lembro qual é e, para ser sincero, nem faço questão de lembrar. Enfim, a maldita estava usando uma camisa MINHA, calçada com as MINHAS meias, sentada na MINHA bancada, rodeada por algumas comidas e bebidas, se sentindo a porra da dona da MINHA casa! Ei... muita calma nessa hora. Eu não sou nenhum escroto, não negaria café da manhã a ninguém, muito menos à mulher que estava com meu pau na boca algumas horas antes. Mas a "Miss Taquara Rachada" estava me tirando do sério. Eu a queria fora da minha vida, urgentemente. — Você demorou, amorzinho, quase fui te buscar. Você quer?... — Ela fez beicinho e mordeu os lábios enquanto passava a porra de uma uva pelo queixo... fala sério! Me chamar de "amorzinho" já seria um completo ultraje, mas fazer isso usando as minhas roupas e me oferecendo a MINHA comida na MINHA casa?! Limite, cadê você??? Respirei fundo e me concentrei em manter a expressão neutra, fazendo uso da minha melhor cara de pôquer, com a voz controlada e livre de qualquer sentimento — mesmo que, em minha mente, eu já tivesse arrastado a "Sem Nome" para fora da minha casa pelo pescoço. Usando todo o meu autocontrole, como faço com meus parceiros e adversários de negócios, encarei a mulher focado em manter meu réu primário intacto. — Desculpe, como disse anteriormente, tenho uma reunião importante e estou atrasado. Vou chamar um táxi para você. Pode ir se trocar enquanto isso. Já estava me virando com o celular nas mãos para chamar um carro que pudesse me livrar do encosto, quando ela desceu da bancada e veio até mim, ainda com aquele sorrisinho idiota de falsa inocência no rosto. — Tolinho! — Fez sinal de me dispensar com a mão. — Pode ir para a sua reunião "superimportante" — fez aspas com os dedos e deu ênfase na palavra enquanto arregalava os olhos. É sério isso? — Eu fico por aqui, tomo um banho, dou uma organizada nas coisas e te espero voltar... cheirosinha e nua na nossa cama. No final da fala, ela lambeu os lábios e deu mais um passo em minha direção, o suficiente para segurar o meu pau por cima da calça, convencida de que era uma proposta irrecusável. Coitada. Meu pau estava tão traumatizado quanto meus ouvidos. E que merda é essa de NOSSA cama?! A cama é MINHA, só MINHA, sempre foi e vai continuar assim! O que a doida estava pensando? Foi só uma noite, sexo sem compromisso. Eu tenho certeza de que não pedi ninguém em casamento ou propus alguma espécie de relacionamento; mesmo não lembrando de porra nenhuma, tenho certeza de que não faria isso. JAMAIS. Sorte que eu sou um bom homem, dotado da mais completa sanidade mental, centrado e equilibrado. Porque, na real, bastava que eu fosse apenas um pouco inconsequente para não entender a armadilha em que a escandalosa queria me enfiar. Imaginem se eu acabasse deixando a criatura sozinha na minha casa: quando voltasse, encontraria as malas da bonita na minha suíte e um decreto oficial de que ela moraria comigo. Ou seja, isso não tinha a menor possibilidade de acontecer. Ela precisava sair da minha casa imediatamente! Limites existem para serem respeitados! Esses limites, pelo menos, precisam. Sem mais paciência e sem tentar ser sutil ou educado, segurei firme no braço da maluca e saí puxando a "Sem Nome" até a MINHA suíte. Não respondi aos protestos pouco enfáticos ou às falas de como eu era impaciente, nem me manifestei quando ela gemeu dizendo que a minha pegada bruta a estava excitando e o quanto minha atitude de homem das cavernas a deixava molhada e pronta para o nosso próximo round. Completely insana, eu falei... nem fodendo teríamos próximo round. Meus tímpanos e minha sanidade mental não aguentariam. Joguei-a dentro do quarto, recolhi as roupas dela que estavam espalhadas e as joguei sem nenhum zelo sobre ela. — Vista-se AGORA! — Falei sério e sem disfarçar minha fúria. — Mas, querido... — Me olhou meio confusa. — AGORA! — Gritei. — Você tem um minuto antes que eu te jogue para fora da MINHA casa vestida como está.






