Lucas me olhou com um olhar complexo e, em seguida, voltou os olhos para as malas que eu estava arrumando.
— Desta vez, na minha viagem a trabalho, pretendo levar Mariana para o Sul. Não precisa arrumar nada.
Minhas mãos não pararam, apenas assenti levemente com a cabeça.
Ele parecia desconfortável com minha frieza, demonstrando certa inquietação.
— O que houve com você? Parece até outra pessoa.
Meus movimentos pararam por um instante e forcei um sorriso.
— Não é nada, só estou arrumando minhas coisas. Quando você sair da Alcateia Luz, vou voltar a morar com a Família Rocha.
Depois que meus pais faleceram, minha irmã e eu passamos a viver com a Família Fonseca, e nossa antiga casa ficou vazia desde então.
Ele ficou aliviado e tentou se explicar:
— Não é que eu não queira que você vá para o Sul, é só que Mariana nunca viu as paisagens de lá e queria conhecer. Daqui a alguns meses, eu volto para te buscar.
Assenti distraidamente.
Na vida passada, durante dez anos inteiros, ele nunca voltou para me buscar.
Só retornou desiludido quando Mariana se uniu como companheira a um Alfa da alcateia do Sul.
Lucas me observava discretamente, desconcertado pelo meu silêncio.
— Você sempre disse que queria tirar algumas fotos de casamento. Amanhã vamos ao estúdio, que tal?
Ele quebrou o clima constrangedor com a sugestão repentina.
Olhei para ele, surpresa, mas recusei logo em seguida:
— Deixa para lá, não vale a pena gastar dinheiro com isso.
Amanhã eu pretendia comprar algumas coisas para a universidade, não tinha tempo para coisas sem sentido.
Lucas franziu a testa, insatisfeito.
— Temos dinheiro para umas fotos de casamento, Serena. Você não precisa ser tão econômica.
Nesse momento, Mariana entrou, sorrindo, e se agarrou ao braço de Lucas:
— O que é isso de tirar fotos? Eu também quero fotos bonitas!
Lucas acariciou a cabeça dela, sorrindo.
— Claro, amanhã vamos juntos.
Eu queria recusar, mas Lucas foi firme:
— Não existe nada mais importante do que as fotos de companheiros. Está decidido!
Mariana ainda provocou:
— Serena, não vai me dizer que é por minha causa que você não quer ir, né?
Sem vontade de discutir, assenti em silêncio.
Logo cedo, ouvi as risadas alegres de Mariana. Ela vestia o vestido de noiva lindo que eu tinha comprado, tagarelando animada ao lado de Lucas.
Lucas estava elegante em seu terno, olhando para ela com um sorriso cheio de carinho e cuidado.
Os dois pareciam um casal apaixonado.
Virei o rosto para o calendário na parede, os números vermelhos me lembravam: faltavam apenas dois dias.
Em dois dias, eu finalmente estaria livre daquela vida.
Esperei silenciosamente na porta. Demorou bastante até eles saírem, sem pressa.
Lucas, atencioso, ajeitou as dobras do vestido de Mariana. Eu virei o rosto, sorrindo amargamente.
O que me fez acreditar, mesmo que por um momento, que depois de virar companheira de Lucas, ele também seria assim gentil comigo?
Esse tipo de cuidado especial, ele só tinha olhos para Mariana.
Enquanto eu me perdia nesses pensamentos, Lucas, com o rosto corado, aproximou-se de mim e entregou um anel com pedra-da-lua.
— Meu braço direito disse que este é o anel que simboliza a relação de companheiros. Comprei um para você.
Olhei para o anel, atônita. Na vida passada, nunca recebi um presente tão simbólico.
Quando Mariana viu o anel, seu rosto mudou. Ela reclamou, magoada:
— Que pedra-da-lua enorme! É lindo, eu também quero um desse!
Entreguei o anel para ela, sem hesitar:
— Se você gostou, pode ficar.
Lucas ficou furioso na hora.
— Não faça isso! Esse é o nosso anel de companheiros!
Mariana pegou o anel e colocou no dedo, balançando a mão com orgulho.
Lucas só pôde assentir, resignado, e depois, meio sem jeito, disse para mim:
— Da próxima vez, compro outro para você.
Assenti sem me importar.
Nenhuma das promessas dele jamais se cumpriu, mas isso já não fazia diferença.
Eu não me importava mais.