Lucas havia contratado um fotógrafo profissional e, juntos, saímos da alcateia em direção à beira da floresta, onde a paisagem era mais bonita para tirar fotos.
Mariana vestia um elegante vestido de noiva e tirou várias fotos ao lado de Lucas. O fotógrafo elogiava constantemente a sintonia entre os dois e dizia que as fotos estavam ficando excelentes.
— Faz tempo que não vejo um casal tão harmonioso assim!— Elogiou o fotógrafo.
Só então Lucas se deu conta da situação. Ele me puxou, ainda vestido com roupas comuns, e apresentou-me ao fotógrafo:
— Desculpe, ela é a minha companheira. Poderia tirar algumas fotos de nós dois como companheiros?
O fotógrafo ficou paralisado, claramente desconfortável, sem coragem de olhar para mim.
Ele levantou a câmera, mas logo a abaixou, corando, e se desculpou gaguejando:
— Me perdoe, mas o cartão de memória da câmera já está cheio.
Provavelmente, aquele era o momento mais constrangedor de toda a sua carreira.
Procurei tranquilizá-lo, mostrando compreensão:
— Não se preocupe, para mim tanto faz tirar as fotos ou não.
O rosto de Lucas estava fechado, mas ele não disse nada. Na volta, apenas me entregou um bilhete de trem.
— Este é o bilhete para a estação rumo ao Território do Sul. Não quero te deixar para trás, mas vamos primeiro nos instalar por lá e depois você se junta a nós.
Era um bilhete para quatro dias depois. Da Alcateia Luz até o Território do Sul, a viagem de trem levava três dias e duas noites, e ele sequer se deu ao trabalho de comprar um assento para mim.
Além disso, cada guerreiro do grupo só tinha direito a um acompanhante. Mesmo que eu chegasse ao Território do Sul, não teria onde ficar.
Ainda assim, não questionei nada e aceitei o bilhete em silêncio.
Ao ver que guardei o bilhete, Lucas suavizou o olhar:
— Fique tranquila, mesmo que você não more comigo, não é igual a Mariana. Ela é só minha irmã, e você é minha única companheira. Prometo que vou cuidar de você no futuro.
Meu semblante mudou um pouco, o coração apertado de amargura. Na vida passada, quando ele teria dito algo tão gentil para mim?
Eu estava prestes a responder quando, de repente, Lucas ficou tenso e olhou cauteloso para a floresta.
Naquele momento, uma grande alcateia de lobos renegados avançou ferozmente em nossa direção.
Eles mostravam os dentes brancos e afiados, e as patas poderosas faziam buracos profundos no solo a cada passo.
— Meu Deus, o líder é o Rei dos lobos renegados! Corram! — Gritou o fotógrafo em pânico, agarrando seu equipamento e correndo de volta em direção à alcateia.
Fiquei paralisada de susto. Na outra vida, essa alcateia selvagem também apareceu, mas só foi contida quando guerreiros de várias alcateias vizinhas se uniram e os expulsaram para o fundo da floresta.
Por que haviam surgido tão cedo desta vez?
Enquanto me perdia nesses pensamentos, senti uma dor aguda no pé.
No meio da fuga, Mariana ainda encontrou tempo para me dar uma rasteira, mas ela mesma correu aos gritos pedindo ajuda para Lucas.
Caí com força no chão, e já podia ouvir os rosnados graves dos lobos se aproximando.
Assustada, estendi a mão para Lucas, mas num piscar de olhos, vi que ele já havia pegado Mariana no colo e, com poucos saltos, saiu do cerco dos lobos.
Meu coração afundou.
Quando tentei gritar por socorro, uma dor lancinante atravessou minhas costas.
Vários lobos renegados me cercaram, mordendo e arranhando, deixando cortes profundos em meu corpo com suas garras afiadas.
A dor quase me fez desmaiar. Gritei com todas as forças, chamando o nome de Lucas.
Meus olhos buscaram por ele além da alcateia. Vi Lucas abraçado a Mariana, ambos em segurança, longe do perigo, sem nem perceber meu desespero.
Mariana estava pálida de medo, tremendo nos braços dele.
Lucas a consolava, o olhar cheio de preocupação.
Todo o seu coração estava com Mariana, e minha situação não lhe importava em nada.
Então era isso que ele chamava de "vou cuidar de você no futuro".
Sorri tristemente, desisti de lutar e deixei que os lobos me arrastassem para dentro da floresta.