CAPÍTULO 21
Era engraçado como o som do martelo contra a madeira podia ser reconfortante.
Ritmo, impacto, intervalo. Uma repetição quase terapêutica que preenchia os vãos do meu pensamento. Naquela manhã, os trabalhadores estavam concentrados na estrutura da varanda lateral, e eu havia me isolado em um dos salões do andar superior, onde a luz da manhã entrava com força pelas janelas recém-desobstruídas.
A poeira dançava no ar, suspensa, como se resistisse em aceitar que tudo ali estava mudando.