19. Veredito

Branca Oliveira

Me virei ainda com a colher na mão.

Cássio estava parado atrás de mim.

O olhar dele não era só irritado. Era assassino. Daqueles que não pedem explicação, só acusam.

“Que porra você acha que está fazendo?”

Antes que eu pudesse responder, ele avançou, arrancou a panela do fogão e jogou tudo dentro da pia. A sopa espirrou, escorreu pelo inox, respingou no chão. O cheiro quente se espalhou pelo ambiente junto com a minha indignação.

Eu congelei por um segundo.

Depois explodi.

“Você enlouqueceu?” apontei para a pia. “Sua filha está morrendo de fome. Eu preparei para que ela conseguisse segurar alguma coisa no estômago. E não vai ser aquilo ali que vai parar!” apontei para a comida que a Glória tinha deixado.

Ele se virou para mim, o maxilar travado.

“Aquilo ali é o que a nutricionista passou.”

“Não é mais!” gritei. “Está pesado demais para o estômago dela. Está sobrecarregando o organismo. Se você ou a sua maldita empregada tivessem ligado para a nutricionista como eu pedi
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