Morgan despertou assustado com o barulho de uma caixa caindo no chão.
Levantou rapidamente do sofá e olhou ao redor.
Mas Max não estava mais ali.
Franziu a testa imediatamente.
— Onde está o Max?
O homem que organizava os equipamentos segurou a caixa nos braços antes de responder:
— O doutor Xavier saiu cedo. Houve um desmoronamento próximo da vila ao norte.
Ele apontou para fora.
— Estou levando os equipamentos médicos para lá agora.
Morgan já pegava a própria bolsa.
— Eu vou com você.
Sem esperar resposta, ajudou a carregar algumas caixas até o jipe.
O homem assumiu o volante por conhecer melhor a região.
O céu ainda estava escuro, mas os primeiros raios de sol começavam a surgir no horizonte enquanto o veículo avançava pelas estradas destruídas.
Quando chegaram ao local…
Morgan ficou imóvel por alguns segundos.
O cenário era devastador.
Casas destruídas.
Poeira cobrindo tudo.
Pessoas feridas espalhadas pelo chão.
Gritos.
Choro.
E médicos correndo desesperadamente entre os destroços.
Morgan passou a mão pelos cabelos aflito.
— Mas o que aconteceu aqui?
Olhou ao redor incrédulo.
— Não houve chuva… nem terremoto…
O homem ao lado dele respondeu enquanto descarregava as caixas:
— Um míssil explodiu perto daqui durante a madrugada.
A voz dele ficou pesada.
— O impacto causou tremores e o vilarejo inteiro desabou.
Morgan sentiu o peito apertar.
Então começou a caminhar rapidamente pelo local.
Enfermeiras passavam correndo.
Feridos eram carregados em macas improvisadas.
O cheiro de fumaça e sangue dominava o ar.
Então ele viu Max.
O coração de Morgan apertou imediatamente.
Max vinha caminhando lentamente entre os escombros carregando uma criança pequena nos braços.
Imóvel.
Sem vida.
O rosto dele estava completamente pálido.
Os olhos vazios.
Como se naquele instante o mundo inteiro tivesse desaparecido ao redor dele.
Morgan correu até ele sem pensar.
Pegou cuidadosamente a criança de seus braços e a levou até a área onde os corpos estavam sendo colocados.
Depois voltou imediatamente.
Max já estava sentado no chão.
As mãos tremiam sem controle.
Cobertas de sangue.
Morgan pegou uma garrafa de água e se ajoelhou diante dele.
Lavou cuidadosamente suas mãos.
Depois secou devagar.
Como se tivesse medo dele quebrar.
— Você está bem?
Max permaneceu olhando para as próprias mãos.
A voz saiu baixa.
Quase falhando.
— Eu não consegui salvar aquela criança…
Os olhos dele começaram a lacrimejar.
— Ela morreu nos meus braços…
A respiração dele pesou.
— Tudo por causa de uma guerra sem sentido.
Morgan ergueu lentamente a mão até os cabelos dele, afastando alguns fios do rosto suado.
— Meu zangado…
A voz dele saiu suave.
— Não foi culpa sua.
Max apertou os dedos com força.
— Mas se eu estivesse no hospital…
Fechou os olhos.
— Talvez eu tivesse conseguido salvar ela.
Morgan ficou em silêncio por alguns segundos antes de responder:
— Talvez.
Depois segurou delicadamente o rosto dele.
— Mas você não pode carregar o peso do mundo inteiro sozinho.
Max abaixou a cabeça.
Exausto.
Destruído.
Morgan então se levantou.
— Vem comigo.
Max tentou se levantar imediatamente.
— Ainda não terminei. Preciso voltar.
Mas Morgan segurou sua mão.
Dessa vez com firmeza.
— Já chega.
O olhar dele endureceu.
— Você não é o único médico aqui.
Depois respirou fundo.
— E olha só pra você…
A voz dele suavizou novamente.
— Você mal consegue ficar em pé.
Max desviou o olhar.
Morgan abriu a porta do carro.
— Agora você vai descansar.
Então sorriu de leve.
— Nem que eu tenha que te amarrar numa cama, meu zangado.
Max entrou em silêncio.
Durante o trajeto, permaneceu olhando pela janela.
Só voltou a prestar atenção quando sentiu Morgan se inclinar sobre ele para colocar o cinto de segurança.
Os rostos ficaram próximos demais.
Morgan sorriu de canto.
— O quê?
Aproximou um pouco mais.
— Tá querendo um beijo de carinho?
Max imediatamente o afastou.
— Eu não gosto desse tipo de brincadeira.
O sorriso de Morgan diminuiu.
Mas ele apenas assentiu em silêncio e voltou para o próprio lugar.
Do lado de fora, Bella observava os dois saindo.
Então cruzou os braços.
— Como ele consegue fazer isso?
Tony apareceu pegando uma garrafa de água.
— Talvez porque conheça o doutor Xavier há muitos anos.
Bella olhou para ele.
— E onde você estava quando ele desceu sozinho?
Tony suspirou cansado.
— Tirando pessoas dos escombros.
Depois passou a mão no rosto.
— Não consegui chegar a tempo.
Bella desviou o olhar.
— Ele ficou péssimo de novo…
Tony apenas concordou em silêncio.
Dentro do carro…
Morgan dirigia lentamente entre vilarejos completamente destruídos.
Max observava tudo pela janela com o olhar distante.
Morgan então perguntou:
— Há quanto tempo está aqui?
— Dois anos.
A resposta veio baixa.
— Faz exatamente dois anos hoje.
Morgan apertou levemente o volante.
— E por que não volta pra casa comigo?
Olhou rapidamente para ele.
— Seus irmãos gostariam de te ver.
Max fechou os olhos sentindo o vento tocar seu rosto.
— Eu não quero voltar.
A voz saiu firme.
— Nunca mais.
Morgan estacionou o carro próximo ao hospital e virou completamente para ele.
— Você ainda está fugindo por causa do que aconteceu naquela época?
Max abriu os olhos lentamente.
Morgan continuou:
— Você se tornou um médico reconhecido no mundo inteiro.
A voz dele carregava admiração.
— Hospitais famosos vivem tentando contratar você.
Depois franziu a testa.
— Então por que insiste em viver em lugares esquecidos pelo mundo?
Max finalmente olhou diretamente para ele.
— Porque essas pessoas precisam de ajuda.
A voz saiu séria.
— Pessoas como você sempre terão os melhores médicos.
Então apontou para fora.
— Mas eles não têm ninguém.
E saiu do carro.
Morgan respirou fundo antes de correr atrás dele.
Parou bem na frente impedindo que continuasse andando.
— Qual é o seu problema, Max?
O olhar dele estava cheio de dor.
— Você realmente não gosta nem um pouco de mim?
Max endureceu o olhar imediatamente.
— Eu não gosto de você.
A resposta saiu rápida demais.
Quase desesperada.
— Então para de me seguir.
Os olhos dele começaram a lacrimejar.
— Me esquece.
A voz falhou.
— Vai ser feliz com alguém que mereça você.
Morgan o abraçou sem pensar.
Apertando ele contra o peito.
— Mas a minha felicidade é você, meu zangado.
Max congelou.
O corpo inteiro ficou rígido.
Por alguns segundos ele não conseguiu reagir.
Então empurrou Morgan com força.
O desespero estampava seus olhos.
— Nunca mais faça isso!
A voz saiu alta.
Quebrada.
— Nunca mais me toque desse jeito!
E saiu correndo na direção do hospital.
Morgan permaneceu parado observando ele desaparecer corredor adentro.
O peito apertava cada vez mais.
Então as palavras antigas de Max voltaram à sua memória.
“Eu virei um lixo.”
“Não mereço ser amado.”
Morgan fechou os olhos lentamente.
Como alguém podia carregar tanta dor sozinho?
Algum tempo depois…
Ele foi até o escritório de Max.
Tentou abrir a porta.
Trancada.
Morgan apoiou a testa contra a madeira.
— Max…
A voz saiu baixa.
— Me desculpa.
Silêncio.
— Eu não devia ter te abraçado sem perguntar antes.
Do outro lado da porta, Max estava sentado no chão abraçado aos próprios joelhos enquanto chorava em silêncio.
Morgan continuou:
— Por favor… vamos conversar.
Depois de alguns segundos…
A porta finalmente se abriu.
Max desviava completamente o olhar.
Os olhos estavam vermelhos.
— Quero que vá embora.
A voz dele tremia.
— E me esqueça de uma vez.
Morgan entrou devagar na sala.
Então respirou fundo.
— Eu não posso fazer isso.
Max levantou os olhos.
— Não pode… ou não quer?
Morgan deu um pequeno sorriso triste.
— Os dois.
Depois apontou para fora.
— O hospital da minha família está patrocinando esse lugar.
Então voltou a olhar diretamente para ele.
— E eu vim como representante oficial.
Se aproximou lentamente.
— Mas também vim por você.
Max ficou imóvel.
Morgan continuou:
— Mesmo que você me odeie…
A voz dele suavizou.
— Eu não vou deixar você desaparecer de novo.
Os olhos dele começaram a brilhar levemente.
— Porque mesmo que seus irmãos tenham seguido em frente…
Ele deu um passo mais perto.
— Eu senti sua falta todos os dias, meu zangado.
As lágrimas voltaram aos olhos de Max imediatamente.
Morgan então sorriu de leve.
— E querendo ou não…
Abaixou um pouco a cabeça na direção dele.
— Nosso destino é ficar juntos.
Depois recuou calmamente.
— Não precisa se preocupar.
A voz saiu gentil.
— Eu nunca vou fazer nada que você não queira.
Então apontou para o sofá.
— Agora descansa.
Abriu a porta devagar.
— Eu vou cuidar dos pacientes por você hoje.
E saiu da sala.
Max permaneceu parado por alguns segundos.
Então as pernas fraquejaram.
As lágrimas escorreram silenciosamente por seu rosto enquanto ele fechava a porta novamente e deslizava lentamente até o chão.