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🍀 CAPÍTULO 04🌿

Em casa, Maira terminava cuidadosamente o curativo na cabeça de Max enquanto tentava controlar o próprio nervosismo.

As mãos dela tremiam levemente.

— Acho melhor irmos ao hospital… — murmurou com os olhos cheios de lágrimas. — Você precisa levar pontos.

Max segurou delicadamente a mão da irmã antes que ela continuasse.

— Ei… está tudo bem.

Sua voz saiu calma apesar do rosto machucado.

— Vocês duas já passaram por coisas demais hoje. Vão tomar banho e descansar.

May se aproximou trazendo um copo de água.

Max agradeceu com um pequeno sorriso cansado.

— E não contém nada disso para ninguém — continuou ele. — Eles não vão mais atrás de vocês.

May permaneceu em silêncio por alguns segundos antes de perguntar:

— Mas por que aceitou trabalhar para aquele homem?

Max desviou os olhos.

— Você sabe muito bem com o que eles estão envolvidos…

O garoto apenas sorriu de leve.

Um sorriso triste.

— Vai ser só por um tempo.

Então se levantou lentamente, ignorando a dor pelo corpo inteiro.

Pegou a jaqueta velha.

— Ainda preciso trabalhar hoje.

— O quê?! — Maira o encarou assustada. — Você mal consegue ficar em pé!

Max bagunçou de leve o cabelo dela.

— Já estou acostumado.

E saiu antes que elas tentassem impedir.

Assim que a porta fechou, Maira desabou no sofá chorando.

— Achei que ele fosse morrer hoje…

May sentou ao lado dela em silêncio.

Os olhos também estavam marejados.

— O Max passou por muita coisa por nossa causa…

Ela apertou as próprias mãos.

— E tudo por culpa dos nossos pais.

Maira secou o rosto devagar.

Então pareceu pensar em algo.

— Que tal fazermos uma surpresa para ele?

May ergueu o olhar surpresa.

— Surpresa?

Maira assentiu.

Um pequeno sorriso apareceu apesar dos olhos vermelhos.

— Podemos fazer um bolo de aniversário.

May ficou em silêncio por alguns segundos.

Então percebeu algo doloroso.

— O Max… nunca teve um aniversário de verdade, não é?

As duas se olharam.

E naquele momento sentiram o peso da vida que o irmão carregava sozinho.

— Então vamos fazer — May respondeu sorrindo de leve.

Na obra, Max continuava trabalhando mesmo completamente machucado.

Cada movimento fazia seu corpo doer.

As mãos ardiam.

A cabeça latejava.

Mas ele continuava carregando peso como se nada tivesse acontecido.

O chefe da obra percebeu rapidamente seu estado.

— O que aconteceu com você?

Max evitou encará-lo.

— Tive uma briga na saída da escola.

O homem franziu a testa.

— Isso não parece uma simples briga.

Max apenas abaixou a cabeça.

— Estou bem.

O homem suspirou.

— Vá descansar um pouco. Outra pessoa termina isso.

Max tentou protestar.

— Mas—

— Vai descansar, garoto.

Sem escolha, Max acabou obedecendo.

Pouco depois, o homem voltou trazendo um lanche simples e sentou ao lado dele.

— Seus pais sabem disso?

Max deu uma risada baixa e amarga.

— Eles nem devem saber que eu existo hoje.

O homem permaneceu em silêncio.

Depois olhou novamente para as roupas gastas do garoto.

— E as roupas? Você não disse que ia comprar outras?

Max ficou alguns segundos olhando para as próprias mãos machucadas antes de responder:

— Precisei comprar coisas para minhas irmãs primeiro.

Então sorriu sem graça.

— Está tudo bem.

Mas claramente não estava.

O homem apenas suspirou fundo antes de voltar ao trabalho.

Os dias passaram rapidamente.

E Max começou a viver uma rotina cruel.

Durante o dia: escola e obra.

Durante a noite: serviços perigosos para o homem do ferro-velho.

O cansaço começou a consumir seu corpo aos poucos.

Quase não dormia mais.

Quase não comia.

E mal parava em casa.

Até que certa manhã…

Alguém bateu no portão carregando várias sacolas.

Alan abriu a porta ainda sonolento.

Quando viu o rapaz bem vestido parado ali, fez cara feia.

— O que você quer aqui?

O garoto sorriu tranquilamente.

— O Max está?

Alan revirou os olhos.

— Aquele idiota perdeu a hora hoje. Ainda está dormindo.

O rapaz entrou sem cerimônia.

— Ótimo.

Logan estava jogado no sofá assistindo televisão.

Assim que viu o desconhecido, franziu a testa.

— Quem é você? E como sabe onde a gente mora?

O rapaz sequer olhou para ele.

— Nem te conheço, moleque.

E subiu as escadas.

Alan caiu no sofá rindo.

— Ele veio atrás do Max.

Logan pareceu surpreso.

— Como aquele fracassado conhece alguém assim?

Alan deu de ombros.

— Vai saber.

No quarto, Max dormia profundamente com o cobertor cobrindo quase todo o rosto.

O rapaz abriu um enorme sorriso travesso.

Então pulou em cima da cama.

— FELIZ ANIVERSÁRIO!

Max levou um susto e puxou o cobertor rapidamente.

— SEU IDIOTA!

O rapaz começou a rir.

— Bom dia para você também, zangado.

Max o empurrou irritado.

— O que você está fazendo aqui?

— Vim te ver.

Ele aproximou uma sacola do garoto.

— E te dar um presente.

Max estreitou os olhos desconfiado.

— Você bateu a cabeça?

O rapaz ignorou a pergunta e observou atentamente os machucados no rosto dele.

Seu sorriso diminuiu imediatamente.

— Você voltou a trabalhar para aquele cara, não foi?

Max desviou o olhar.

— Não começa.

— Por que não vem trabalhar para minha família?

— Porque eu não preciso da sua pena.

O rapaz suspirou antes de entregar a caixa do presente.

Max abriu devagar.

Dentro havia um colar delicado com um pingente contendo as iniciais dos dois.

Por alguns segundos, ele ficou em silêncio.

O rapaz sorriu satisfeito e colocou o colar em seu pescoço.

— Agora você já sabe a quem pertence, zangado.

Max imediatamente empurrou a mão dele.

— Morgan, deixa de ser idiota.

Morgan apenas riu.

Mas logo seu olhar caiu sobre as mãos machucadas do garoto.

Depois nos hematomas espalhados pelo pescoço.

Seu sorriso desapareceu novamente.

— Max…

A voz dele saiu mais baixa.

— Você não pode continuar vivendo assim.

Max se levantou antes que o assunto continuasse.

Foi tomar banho rapidamente.

Quando voltou já vestido, algumas marcas das agressões ainda apareciam pelas mangas curtas e pelo corte aberto próximo ao ombro.

Morgan o observou em silêncio.

O peito apertou ao perceber o quanto Max estava magro.

Cansado.

Destruído.

— Você vai acabar morrendo antes da gente crescer…

Max pegou a mochila ignorando completamente a frase.

— Para de drama.

Então passou por ele.

— Vamos logo.

Ao descerem as escadas, May e Maira apareceram carregando um bolo simples.

As duas sorriram nervosas.

Então começaram a cantar parabéns.

Max parou no meio da sala completamente sem reação.

Parecia não saber o que fazer.

Porque ninguém nunca tinha feito aquilo por ele antes.

Logan começou a rir no sofá.

— Sério isso? Ele vai gostar de bolo de aniversário? Olha só para ele.

Alan pegou um pedaço antes mesmo de terminar a música.

— Tá muito bom.

— EI! — May ficou indignada. — Não é para você!

Mas Max apenas sorriu de leve.

Um sorriso pequeno… verdadeiro dessa vez.

— Obrigado…

Sua voz saiu baixa.

Quase emocionada.

— Agora eu realmente preciso ir.

Morgan observava tudo em silêncio.

E pela primeira vez percebeu algo:

Mesmo vivendo daquele jeito…

Max ainda tentava proteger aquele lar quebrado sozinho.

Na saída, Morgan abriu a porta do carro.

— Anda. Vou te levar.

Max imediatamente negou.

— Esse lugar não é para um riquinho como você.

Morgan encostou no carro sorrindo.

— Tudo bem.

Depois apontou para ele.

— Mas ainda estou te devendo um jantar de aniversário.

Max balançou a cabeça sem conseguir esconder um pequeno sorriso.

Então saiu andando pela rua.

Morgan ficou observando suas costas se afastarem lentamente.

O vento balançava a jaqueta velha do garoto enquanto ele desaparecia entre as ruas da cidade.

E naquele instante…

Morgan percebeu que estava começando a se preocupar mais do que deveria.

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