No corredor da escola, Max caminhava lentamente em direção ao refeitório.
Seu corpo ainda doía da surra que havia levado mais cedo, e a cabeça parecia pesada demais para continuar erguida. Mesmo assim, ele seguiu andando em silêncio, segurando firme a mochila velha contra o peito.
Assim que entrou no refeitório, percebeu Logan sentado com alguns colegas perto da janela.
Por um breve segundo, os olhos dos dois se encontraram.
Mas Logan imediatamente fechou a expressão e virou o rosto, se afastando discretamente da mesa como se não quisesse ser associado ao irmão.
Os amigos perceberam.
— Ei, Logan… aquele cara estranho não é seu irmão? — um deles perguntou rindo.
— Claro que não — Logan respondeu rápido demais.
As gargalhadas aumentaram.
— Olha a roupa dele…
— Parece que saiu de um lixão.
— Ele dorme na rua ou o quê?
Max apenas abaixou o olhar.
Já estava acostumado.
Ou pelo menos tentava acreditar nisso.
Então seus olhos encontraram May e Maira na fila do lanche.
As duas estavam claramente desconfortáveis.
Maira evitava olhar em sua direção enquanto algumas garotas cochichavam perto dela.
Aquilo apertou o peito de Max mais do que qualquer insulto.
Sem dizer nada, ele simplesmente se virou e saiu do refeitório.
Caminhou até os fundos da escola, onde quase ninguém costumava ir.
Sentou-se sozinho atrás de um muro velho e finalmente deixou a cabeça cair entre os braços.
Seu corpo tremia.
As lágrimas começaram a cair silenciosamente.
Ele tentou segurar o choro… mas não conseguiu.
Naquele momento, o papel amassado com o endereço caiu de dentro de sua mochila.
Max o pegou rapidamente, olhando para as palavras escritas ali.
— Como eu vou entregar isso para ele…? — sua voz falhou. — Eu nem sei onde aquele homem está…
Ele apertou o papel com força.
— Meu Deus… o que eu faço?
— Então era por isso que você estava chorando?
Max levantou assustado.
A faxineira da escola estava parada atrás dele segurando uma bandeja com um lanche simples.
Ela se aproximou devagar e colocou a bandeja ao seu lado.
— Tome. Você saiu sem comer de novo.
Max limpou rapidamente os olhos tentando esconder o choro.
— Obrigado…
A mulher observou atentamente o rosto abatido do garoto.
— O que aconteceu?
Max ficou em silêncio por alguns segundos.
Então abaixou a cabeça novamente.
— Os homens para quem meu pai deve apareceram hoje…
A voz dele saiu fraca.
— Eles disseram que… se ele não pagar… vão levar minhas irmãs.
A mulher levou a mão à boca, chocada.
— Meu Deus…
Max apertou os dedos contra a calça surrada.
— Mas eu não sei onde ele está… faz tempo que ele sumiu…
A faxineira pareceu pensar por alguns segundos.
— E sua mãe? Ela não sabe?
Os olhos de Max se arregalaram levemente.
Era verdade.
Sua mãe talvez soubesse.
Ele se levantou tão rápido que quase derrubou a bandeja.
— Obrigado!
— Espera! — a mulher tentou pará-lo. — As aulas ainda não acabaram!
Mas Max já estava correndo.
Passou o restante do dia procurando desesperadamente pela mãe.
Entrou em bares baratos.
Motéis decadentes.
Becos escuros.
Lugares onde ela costumava aparecer.
Mas não encontrou ninguém.
Nem sinal dela.
Nem do pai.
Quando percebeu, a noite já havia caído completamente.
As luzes da cidade brilhavam frias sob o céu escuro enquanto Max encarava o papel amassado em suas mãos.
O horário marcado já havia chegado.
Se o pai não aparecesse…
As irmãs sofrem as consequências.
Max respirou fundo.
Então tomou sua decisão.
Foi sozinho até o endereço.
O lugar era um ferro-velho enorme cercado por carros destruídos e pilhas de sucata enferrujada.
Assim que entrou, um cachorro enorme avançou latindo violentamente.
Max deu um passo para trás assustado.
Logo dois homens apareceram segurando o animal.
— Então o pirralho veio mesmo.
Eles o empurraram até o fundo do terreno.
Debaixo de uma tenda improvisada, um homem fumava tranquilamente sentado em um sofá velho.
Ao lado dele…
May e Maira estavam presas, assustadas.
O coração de Max quase parou.
— Meninas!
Ele correu imediatamente até elas, ficando na frente das duas como proteção.
O chefe observou a cena com diversão.
— Então você realmente não encontrou seu pai.
Max apertou os punhos.
— Por favor… deixa elas irem.
O homem soltou fumaça lentamente.
— Como eu disse antes… elas vão pagar a dívida.
Max sentiu o sangue gelar.
— Não! — sua voz saiu desesperada. — Eu fico no lugar delas!
Os homens começaram a rir.
— Você?
Max ignorou as gargalhadas.
— Eu posso trabalhar para vocês! Sou bom com contas… também sei consertar coisas…
O chefe o analisou dos pés à cabeça antes de rir.
— Suas irmãs são bonitas. Serviriam como ótima mercadoria.
As palavras fizeram Max perder a cor do rosto.
— Já você… — o homem continuou. — Não parece servir para nada.
Max respirou fundo.
Então ergueu os olhos pela primeira vez.
— Eu sei lutar.
O silêncio caiu por alguns segundos.
Logo depois, os homens explodiram em gargalhadas ainda maiores.
— Você?!
— Esse moleque mal consegue ficar em pé!
— Vai morrer no primeiro soco!
Mas Max não desviou o olhar.
Então lentamente se ajoelhou diante do chefe.
— Por favor…
Sua voz tremia.
— Me dê uma chance.
Os dedos dele apertavam fortemente as próprias pernas tentando esconder o medo.
— Se eu perder… pode fazer o que quiser comigo.
O homem parou de fumar.
Pela primeira vez, parecia realmente interessado.
— Então você entende o que está oferecendo?
Max engoliu seco.
— Sim.
— Se perder hoje… suas irmãs vão embora.
O homem sorriu friamente.
— Mas você será meu.
May segurou o braço do irmão desesperada.
— Não faz isso!
Max apenas olhou para ela e forçou um pequeno sorriso cansado.
— Vai ficar tudo bem.
Mesmo sabendo que talvez não fosse verdade.
Pouco depois, ele foi levado até uma arena improvisada cercada por homens apostando dinheiro.
Seu oponente era enorme.
O homem tirou a camisa rindo.
— Você tá ferrado, moleque.
Antes mesmo de terminar a frase, avançou violentamente.
Max desviou por pouco do primeiro golpe.
Então revidou.
Acertou alguns socos rápidos.
Mas também recebeu vários em troca.
A diferença de força entre os dois era brutal.
Um forte golpe atingiu seu estômago.
Outro acertou seu rosto.
Max caiu no chão com força.
Os homens começaram a gritar animados ao redor.
O adversário aproveitou para chutá-lo repetidamente.
Cada golpe fazia sua visão escurecer mais.
Mas então…
Max ouviu o choro das irmãs.
E se levantou novamente.
Mesmo tremendo.
Mesmo sangrando.
Ele voltou a atacar.
Os socos eram fracos… desesperados… mas cheios de determinação.
Até que finalmente conseguiu derrubar o homem.
A contagem começou.
Max tentou permanecer de pé…
Mas seu corpo já havia chegado ao limite.
Ele ficou tonto.
Enjoado.
E acabou vomitando sangue no chão.
Mesmo assim…
Foi declarado vencedor.
Os homens começaram a reclamar irritados.
O lutador derrotado, tomado pela raiva, pegou um pedaço de madeira e acertou violentamente a cabeça de Max.
O som seco ecoou pelo ferro-velho.
Max caiu imediatamente no chão.
Sangue começou a escorrer por sua testa.
May e Maira gritavam desesperadas.
O chefe se levantou furioso.
Sem hesitar, puxou a arma e atirou no homem.
O corpo caiu morto no chão.
O silêncio tomou conta do lugar.
— Eu não admito isso aqui.
Sua voz saiu fria.
— Tirem esse lixo daqui.
May e Maira correram até o irmão.
Max tentou se levantar mesmo completamente tonto.
— Você… prometeu…
Sua voz falhava.
— Disse que libertaria minhas irmãs…
O chefe colocou as mãos nos bolsos observando o garoto ensanguentado.
Então sorriu de leve.
— E eu vou cumprir minha palavra.
Os olhos de Max tremeram levemente.
— Mas você também fez uma promessa.
Max abaixou a cabeça.
— Eu sei.
O homem caminhou lentamente até ele.
— As meninas podem ir.
Depois seu olhar escureceu.
— Mas se abrirem a boca sobre o que aconteceu aqui… todos vocês vão acabar na mesma cova daquele idiota.
May segurou o irmão chorando.
Maira ajudou Max a ficar de pé.
Mesmo quase inconsciente…
Ele ainda tentou caminhar sozinho.
O chefe observou aquilo em silêncio.
Então falou antes deles saírem:
— E você, moleque…
Max parou devagar.
— Se cuide.
Um pequeno sorriso surgiu no rosto do homem.
— Vou mandar buscar você quando precisar dos seus serviços.
Max não respondeu.
Apenas saiu dali apoiado pelas irmãs.
Depois que eles desapareceram, um dos homens se aproximou do chefe.
— O que ele disse é verdade. O pai sumiu faz mais de um mês… e a mãe também desapareceu.
O homem acendeu outro cigarro.
— Esses garotos só continuam vivos por causa daquele moleque.
O chefe tragou lentamente.
Seus olhos permaneceram fixos na direção por onde Max havia ido embora.
— Interessante…
Então entrou no carro.
E foi embora.