Capítulo 04

Empurrei o homem abruptamente, mas ele tentou me agarrar novamente.

— Vem cá, gatinha. — disse ele em um péssimo inglês.

— Primeiro aprenda a falar inglês. Depois agarre quem queira você, porque eu não quero.

Pelo jeito, ele entendeu minha resposta como um incentivo.

Minhas amigas, que estavam dançando com dois caras aleatórios, soltaram-se deles e vieram imediatamente em minha direção. Elas me conheciam o suficiente para saber que, quando eu me irritava, me transformava.

— Amiga, não... — Bia disse.

Mas já era tarde demais.

Dei um soco no rosto do homem, que cambaleou antes de cair no chão.

— Você está maluca? — perguntou, limpando o sangue que escorria do nariz.

Aproximei-me lentamente e encostei a ponta do meu salto entre as pernas dele.

— Você teve sorte. — Olhei diretamente em seus olhos. — Porque, se fosse em outra época, eu teria esmagado as suas bolas. Agora desapareça.

O homem arregalou os olhos, pediu desculpas e saiu correndo.

Subi em uma das mesinhas e chamei a atenção de todos.

— Galera! Desculpem pelo inconveniente. As próximas duas rodadas de bebidas são por minha conta!

O pessoal vibrou e aplaudiu. Logo depois, o DJ voltou a aumentar o volume da música.

— Phillipa, você precisa controlar esse seu temperamento. — Mandy surgiu sabe-se lá de onde.

— Eu sei. Mas odeio que estranhos encostem em mim.

Minhas amigas balançaram a cabeça, sorrindo.

— Você continua a mesma doida de sempre.

Júlia riu, e eu apenas dei de ombros, chamando-as para voltarmos à pista.

Ao fim da noite, nós três estávamos completamente bêbadas, enquanto Mandy fazia o possível para cuidar da situação. Ela chamou um carro e entramos.

Assim que me acomodei no banco, olhei pela janela e vi o homem que eu havia achado bonito mais cedo me observando.

Encarei-o por alguns segundos e sorri.

Ao voltar para o hotel, tomei um banho e já estava pronta para dormir quando meu celular tocou.

Revirei os olhos assim que vi o nome no visor e atendi.

— O que você quer, Pedro?

Quando meu "querido" primo ligava, nunca era por um bom motivo.

— Onde você está?

A pergunta me fez revirar os olhos novamente.

— Não é da sua conta. E outra, não sabia que eu tinha contratado você para ser meu guarda-costas.

A linha permaneceu em silêncio por alguns instantes. Eu sabia que ele estava tentando se controlar para não falar nenhuma besteira, porque também sabia que, se falasse, ouviria coisa muito pior.

— Assim você deixa meu tio preocupado. Diga onde você está.

Soltei uma risada sem humor.

— Olha só, Pedro. Pega essa preocupação e enfia no cu.

Ele respirou profundamente do outro lado da linha, mas continuei antes que pudesse me interromper.

— Caso você não se lembre, meu pai me deixou de lado no dia em que trouxe você para casa, depois da morte dos seus pais. Ele disse, na minha frente e na frente da minha mãe, que eu, por ser menina, era uma perda de tempo. Investiu todo o dinheiro da família na sua educação. Ainda bem que eu tive uma mãe maravilhosa e abuelitos que sempre me amaram.

Respirei fundo antes de continuar.

— Eu sempre fui melhor do que você em tudo, mas meu pai fazia questão de me diminuir diante dos outros enquanto colocava você em um pedestal. Então não venha me dizer que ele está preocupado comigo, porque não está.

— Isso tudo é ciúme, Phillipa? — ele perguntou.

Revirei os olhos mais uma vez.

— Eu não sinto ciúmes de um merda como você. O que eu sinto é ranço. Você roubava meus trabalhos para tirar notas melhores e, uma vez, ainda teve a cara de pau de me acusar de plagiar um trabalho que era meu. Você é uma cobra.

Respirei fundo.

— E quer saber? Não quero mais assunto com você. Vai para a casa do caralho. E diz para o meu pai que, se ele quiser se preocupar com alguém, que compre um cachorro.

Nem esperei sua resposta.

Encerrei a ligação e o bloqueei imediatamente.

Meu pai sempre deixou muito clara a sua preferência por filhos homens.

Isso ficou ainda mais evidente quando trouxe meu primo para morar conosco.

Ele vivia acusando minha mãe de ter um "útero fraco" por não lhe dar um herdeiro Vidal.

Ainda bem que minha família materna, os Sanches, nunca fez distinção entre homens e mulheres. Para eles, o que realmente importava era a capacidade de cada pessoa.

Como eu queria que minha mãe conseguisse se libertar das garras do meu pai.

Mas, às vezes, tenho a impressão de que ela simplesmente se acostumou com a vida que leva.

Meu avô acreditou que, ao casar minha mãe, estaria garantindo sua proteção.

Mal sabia ele que justamente quem deveria protegê-la, amá-la e mimá-la era quem mais a humilhava.

Prometi a mim mesma que, um dia, faria todos aqueles que humilharam mi mamá pagarem e sempre cumpro as minhas promessas.

Preparei-me para dormir.

No dia seguinte, minha caçada começaria de verdade e tinha somente até domingo para resolver tudo.

Sigue leyendo este libro gratis
Escanea el código para descargar la APP
Explora y lee buenas novelas sin costo
Miles de novelas gratis en BueNovela. ¡Descarga y lee en cualquier momento!
Lee libros gratis en la app
Escanea el código para leer en la APP