A madrugada chegou sem pedir licença. Valéria estava no sofá do apartamento alugado com aquela posição específica de quem não havia planejado passar a noite ali — de lado, com a manta fina que havia encontrado no armário do quarto puxada até os ombros, os pés descalços sobre o couro que ainda não havia adquirido nenhuma memória dela. O apartamento era pequeno.
Não era julgamento — era constatação. Havia crescido em casas grandes, havia passado os últimos três anos numa mansão onde os corredores