Lívia
Eu estava encostada na parede fria da cela, o concreto queimando minha pele como gelo. O ar era denso, fedendo a mofo, urina velha e o meu próprio desespero acumulado. Meus cabelos grudavam no rosto suado, as unhas quebradas de tanto arranhar as paredes. Da loba que um dia eu fui, não restava nada.
Lá fora a comemoração continuava. Risadas altas. Músicas. Uivos de alegria pura. A vadia tinha voltado. A “Luna Real”. E todos pareciam ter se esquecido completamente de mim. Como se eu nunca