253. Você Fez Sua Escolha
O silêncio que se segue ao meu grito é ensurdecedor.
Meu pai recua um passo, mas o olhar permanece furioso. Os homens param onde estão e voltam-se para Don Matteo, aguardando um sinal.
— Papà — digo, tentando controlar a voz trêmula —, eu sei que é difícil de aceitar. Sei que não era isso que o senhor imaginava para mim.
— Você não faz ideia do que imagino para você, Aurora — ele responde, e posso ouvir a dor por trás da raiva. — Imagino você viva. Imagino você segura. Não casada com alguém que pode ser morto a qualquer momento por seus próprios inimigos.
— Lorenzo não vai morrer. Ele é…
— É o quê? Imortal? — Ele ri, amargo. — Aurora, você acha que somos ingênuos sobre o que acontece nesse mundo? Conhecemos as histórias.
— E eu conheço a realidade — retruco, enxugando as lágrimas que não param de cair. — Vivo essa realidade há mais de um ano.
— Um ano? — minha mãe sussurra, incrédula. — Há um ano, você sabe… e nunca nos contou?
— Porque sabia que seria exatamente assim — respondo, apo