Renato olhou profundamente para Fabiana, seus olhos gelados como a água de um rio sem fim. Com uma calma tensa, ele disse:— Eu realmente gostaria que você me dissesse que não fez aquelas coisas na cidade L.Fabiana soltou uma risada fria:— Ah, você me despreza mesmo por causa do que houve na cidade L? Não, você me despreza porque fui capturada nas montanhas da região Mash, porque fui desfigurada. Você acha que eu não sou pura, mas posso te garantir, eles não me tocaram.Renato balançou a cabeça com pesar, explicando:— Não, o que aconteceu nas montanhas da região Mash, eu sinto por você. Eu só não consigo aceitar o que você fez em cidade L.Fabiana riu com escárnio:— Pare de mentir para você mesmo! Você realmente acha que eu fiz algo errado na cidade L?— Você não acha que errou? — Renato exalou com dificuldade. — Depois de tudo, você ainda não percebe o que fez de errado?Fabiana não estava usando o véu, e a luz das lamparinas revelava o contraste de sua face, sua metade desfigurad
Renato disse:— Mesmo sendo pessoas da região Caleste, são civis inocentes. Tivemos um acordo de não machucar civis, isso é uma promessa dos superiores para com os súditos, que é benéfica para as populações de ambos os reinos. E você, ao massacrar uma aldeia, não pensou que os civis da Fortaleza de Letuch também poderiam ser massacrado?Fabiana deu uma risada irônica e, com um olhar cheio de desprezo, falou:— Sendo um comandante militar, você ainda faz essa pergunta, Renato? Na verdade, você não serve para o campo de batalha. Você é bondoso demais, sem capacidade de execução. Se não fosse por mim, qual seria o seu mérito? Até mesmo diante do Grande General Adauto, foi graças a minha insistência que você conseguiu a autorização para enviar tropas para cidade L e queimar os armazéns de grãos, caso contrário, você nem teria o crédito de ter queimado os armazéns. Você conseguiu seu mérito porque eu consegui o meu. Eu assinei o tratado, e você, como comandante das tropas de reforço, recebe
Renato levantou a cortina e, com Fabiana ao seu lado, foram em direção a porta silenciosamente. Seus passos quase inaudíveis, e lá fora, também não havia nenhum som.Depois de esperar um momento, ele abriu a porta e se escondeu rapidamente atrás dela, certificando-se de que não havia movimento. Só então ele se inclinou para fora e deu uma rápida olhada.Em um instante, seu sangue congelou.À frente, as lanternas do corredor iluminavam os degraus, onde estavam caídos três cadáveres. Eram as servas que acompanhavam Fabiana, todas elas com a garganta cortada, sem tempo sequer para gritar.O sangue escorria pelos degraus de pedra, tingindo-os de vermelho.Renato imediatamente pensou no massacre da família Sonata e exclamou:— Pai, mãe...Ele estava prestes a correr para fora, mas foi detido pela Fabiana.Fabiana estava pálida, os lábios tremendo ao falar:— Acho que... Acho que eles vieram atrás de mim.Renato imediatamente compreendeu, era possível que fossem espiões da região Caleste bus
Sarah ainda não tinha reagido quando viu os homens de preto invadirem a casa com espadas em mãos, as lâminas já ensanguentadas, claramente tendo matado algumas pessoas pelo caminho.Ela gritou, se virou e bateu com força na porta, implorando:— Fabiana, abra a porta, abra a porta!Eugênia e Acira estavam protegendo Sarah, tremendo como folhas ao vento. Acira falou:— Não se aproxi...Um dos homens de preto passou a espada pelas suas gargantas, elas sentiram um frio no pescoço, o sangue espirrou e começou a jorrar.Com um único golpe, suas gargantas foram cortadas, sem tempo de emitir um som, e caíram no chão.Sarah, aterrorizada, caiu no chão, tapando os ouvidos com as mãos e gritando desesperadamente:— Socorro! Socorro!A espada do homem de preto já estava estendida em direção a Sarah, mas Renato, saltando pelo ar, deu um chute que o fez ser lançado para longe. Ele imediatamente se posicionou ao lado da Sarah com sua espada em punho.— Entre e se esconda! — Renato, com a sensação de
Os dois lutavam de maneira desordenada, mas logo foram derrotados, com sangue espirrando por todo lado.Os assassinos não estavam interessados em prolongar a luta. Um deles lidou com Horácio e seus dois filhos, enquanto os outros três atacaram Fabiana com lâminas afiadas, mirando seu peito. Fabiana, em pânico, rapidamente largou a espada e puxou Renato para se colocar à frente dela.— Não! — A Sra. Guerra e Sarah gritaram em uníssono, ao verem a cena.Renato jamais imaginou que Fabiana faria isso. Ele estava ferido, e Fabiana segurava firmemente seus dois braços, o que o impediu de reagir ou até mesmo levantar a espada para se defender. Ele apenas pôde observar, impotente, enquanto os três assassinos se aproximavam com as lâminas, prestes a cravá-las em seu coração.Todos estavam paralisados, sem saber como intervir, e a Sra. Guerra não ousou olhar, temendo ver seu filho morrer nas mãos dos assassinos.No momento crítico, um som cortou o ar, e uma lança voou do alto, atingindo as espad
— Você está louca! — Horácio estava furioso. — Eles já estão amarrados! Como podemos garantir que não vai ter mais problemas se não levarmos esses assassinos ao Órgão Judicial para interrogar e descobrir quem os enviou?Fabiana levantou a cabeça e seus olhos se encontraram com os de Bianca, que estava no ar.Seus olhos eram complexos e venenosos. Ela cerrou os dentes e disse:— Sendo uma mulher abandonada pela Casa do General, você tem alguma qualificação para voltar aqui?Bianca olhou para ela, com o rosto coberto de sangue, e franziu a testa.— Você acha que eles são espiões da região Caleste? Que estúpida.O rosto de Fabiana mudou ligeiramente, e seus olhos ficaram ainda mais venenosos.Na verdade, ela temia que fossem espiões da região Caleste. Se fossem interrogados pela Prefeitura da Capital sob tortura, certamente revelariam informações sobre a cidade L. Ela ainda se agarrava à esperança, já que o Imperador ainda não havia feito nada.No entanto, se essa questão fosse descoberta
O tapa fez a cabeça da Fabiana se inclinar para o lado.Ela cerrou os dentes, mas não revidou, apenas continuou a tratar dos seus ferimentos.Sarah se virou para Pedro, enxugou as lágrimas e falou em voz alta:— Sr. Pedro, foi ela! Os assassinos vieram por causa dela, ela se trancou na casa e empurrou a mim e as minhas servas para fora. Foi ela quem fez com que elas morressem! Além disso, os assassinos foram derrotados e amarrados pela Bianca, mas ela ficou louca e matou todos eles! Por favor, Sr. Pedro, faça justiça para mim!Pedro olhou para Fabiana, mas antes que pudesse falar algo, Fabiana disse friamente:— Eles invadiram a Casa do General, mataram os guardas e as servas, e eu ainda tenho que deixá-los vivos? Não seria deixar um risco futuro?Pedro inspecionou os corpos dos assassinos e não ficou satisfeito com a resposta de Fabiana, dizendo:— Eles tiveram os tendões das mãos e pés cortados, os pontos de energia interna deles foram danificados, além de estarem amarrados. Onde est
Logo, o pessoal da Prefeitura da Capital também chegou. Horácio conversou com eles e, junto com Pedro, da Guarda da Capital, combinaram que os corpos dos assassinos seriam levados pelo pessoal da Prefeitura.Já que o caso foi entregue às autoridades, o testemunho se tornou crucial. As perguntas que Pedro havia feito antes precisavam agora ser repetidas pelo pessoal da Prefeitura da Capital.Para evitar ter que responder, Fabiana fingiu desmaiar por causa dos ferimentos graves e foi carregada de volta para seu quarto.Todos começaram a cuidar dos assuntos dela.Depois de responder a todas as perguntas, Renato também desmaiou de exaustão. Sarah ordenou que o levassem para descansar em uma das camas do Lar da Sorte.Lovane, ao saber que Bianca foi quem salvou todos naquela noite, perdeu a paciência com a situação. Embora sempre evitasse se envolver nos assuntos da família da cunhada, foi direto até a Sra. Guerra e a questionou rispidamente:— Como vocês tratavam ela antes, hein? Hoje ela