Nota da autora

Nota da autora

Antes de começarmos uma nova história, eu queria conversar com vocês por alguns minutos.

A história da Júlia e do Victor me acompanhou durante muitos dias. Houve períodos em que eu acordava pensando neles, passava o dia escrevendo sobre eles e dormia imaginando o próximo capítulo. Aos poucos, eles deixaram de ser apenas personagens e passaram a ocupar um espaço muito especial dentro de mim.

E talvez isso tenha acontecido porque essa nunca foi apenas uma história sobre amor.

Foi uma história sobre escolhas, orgulho, reencontros, sobre aprender a voltar e sobre descobrir que algumas pessoas mudam a nossa vida de uma forma que não conseguimos explicar.

Enquanto escrevia, muitas vezes me vi refletindo sobre minhas próprias experiências, minhas próprias lembranças e meus próprios amores. Em vários momentos a Júlia me emocionou. Em outros, foi o Victor. Houve capítulos que me fizeram sorrir sozinha e outros que me deixaram pensando neles por horas depois de terminar de escrever.

A verdade é que encerrar essa história não foi fácil.

Porque eu também me apeguei a eles.

Me apeguei à força da Júlia, à teimosia do Victor, à Sofia, à Lilian, ao Diego, à fazenda e a tudo o que foi construído ao longo dessa jornada.

Mas existe uma coisa que essa história me ensinou enquanto eu a escrevia.

Recomeços são dolorosos.

Às vezes dolorosos demais.

Porque recomeçar exige admitir que alguma coisa acabou. Exige abrir mão de planos, expectativas, versões de nós mesmos e até de pessoas que imaginávamos que permaneceriam para sempre ao nosso lado.

E ninguém fala muito sobre isso.

As pessoas gostam de falar da felicidade que vem depois. Da superação. Da cura. Do final feliz.

Mas quase ninguém fala sobre a dor de atravessar o caminho até lá.

A Júlia me ensinou muito sobre isso. Ela me ensinou que existe coragem em ir embora quando é preciso, mas também existe coragem em voltar quando o coração pede. Me ensinou que independência nem sempre significa ficar sozinho e que, às vezes, a maior demonstração de força é permitir que alguém permaneça.

Talvez a maior lição dessa história seja que nem todo amor merece uma segunda chance.

Na vida real, muitas vezes não merece.

Porque amor, sozinho, não conserta falta de respeito. Não conserta abusos. Não conserta mentiras repetidas. Não conserta pessoas que não querem mudar.

Algumas histórias precisam terminar.

E tudo bem.

Aliás, muitas vezes terminar é a decisão mais corajosa que alguém pode tomar.

Mas algumas histórias são diferentes.

Algumas histórias terminam não porque o amor acabou, mas porque as pessoas ainda não estavam prontas. Porque precisaram crescer. Precisaram amadurecer. Precisaram se perder antes de encontrar o caminho de volta.

E foi isso que aconteceu com a Júlia e com o Victor.

Eu nunca escrevi uma história sobre insistir em alguém a qualquer custo. Escrevi uma história sobre duas pessoas que precisaram mudar para que o amor pudesse existir de forma saudável. E talvez seja por isso que eles tenham me tocado tanto.

Porque, no fundo, todos nós já tivemos alguma Júlia ou algum Victor na vida.

Todos nós já amamos alguém.

Todos nós já tivemos medo.

Todos nós já fomos embora quando queríamos ficar.

Ou ficamos quando deveríamos ter ido.

E talvez seja exatamente por isso que as histórias nos emocionam tanto. Porque, em algum momento, elas deixam de ser sobre os personagens e começam a falar sobre nós.

Mas existe uma coisa bonita sobre as histórias.

Elas terminam.

E precisam terminar.

Não porque deixamos de amar os personagens, mas porque chega um momento em que eles encontraram o caminho deles.

E eu sinto que a Júlia e o Victor encontraram.

Eles ainda existirão nesse universo. Ainda estarão por perto. Ainda farão parte das páginas que virão. Mas agora já não são eles que precisam contar a história.

Agora é a vez de outra pessoa.

Uma mulher completamente diferente.

Mais distante.

Mais difícil de entender.

Mais complicada.

Talvez até mais perdida.

Uma mulher que passou anos correndo para longe de casa e que agora, ironicamente, parece não ter para onde fugir.

E, honestamente?

Estou ansiosa para conhecê-la junto com vocês.

Obrigada por terem caminhado ao lado da Júlia e do Victor até aqui. Obrigada por cada capítulo lido, por cada emoção compartilhada e por todo o carinho que vocês dedicaram a essa história.

Agora, vamos conhecer Helena.

Com carinho,

Marcela.

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