Capítulo 107
A consciência de Lia retornou como uma onda violenta de estilhaços. Primeiro, a dor: uma pressão insuportável no crânio, como se o mundo estivesse esmagando seus pensamentos de fora para dentro. Depois, o horror absoluto do silêncio.
Ela forçou as pálpebras. A claridade do hospital era uma agressão cortante, transformando o quarto em um borrão de luzes brancas e formas distorcidas. O cheiro sufocante de antisséptico e o bipe monótono dos aparelhos trouxeram, num estalo, a memória d