Sean Black
Sempre desconfiei de dias que começam normais demais.
Não é paranoia. É experiência.
Coisas grandes nunca anunciam chegada. Elas se acomodam primeiro. Criam rotina. Fingem estabilidade. Depois cedem.
A semana avançava com essa falsa normalidade irritante. Reuniões encaixadas. Resultados aceitáveis. Pessoas sorrindo nos corredores como se nada estivesse fora do lugar. Como se eu não sentisse, desde o estômago até o maxilar travado, que algo estava errado.
Alexandra.
Era sempre nela que o desequilíbrio começava.
Não era um gesto específico. Não era uma frase. Era o conjunto. A ausência de ruído onde antes havia confronto. O silêncio dela não era descanso. Era contenção.
Ela estava economizando palavras como quem economiza ar.
Observei sem pressionar, pois, eu sabia que pressionar Alex cedo demais sempre teve o efeito oposto. Ela se fecha, recua, dobrando-se em si mesma. E eu precisava entender o que ela estava escondendo antes de decidir como agir.
No escritório, fingíamos si