Cayo
A casa tá cheia. Não é expressão, é real. A sala, que já foi um sonho distante no apartamento apertado, agora comporta todo mundo. E todo mundo veio.
Minha mãe chegou cedo, como sempre. Já assumiu a cozinha, mexendo nas panelas, dando pitaco na comida. O Paulo, meu padrasto — ainda estranho falar isso, mas já tô me acostumando — tá no quintal com o Zyon, jogando bola. Dá pra ouvir a gritaria lá de dentro.
— GOOOOL! — o Zyon berra. — Vovô Paulo, eu fiz um gol!
— Foi sim, campeão! — o Paulo