O sábado amanheceu com um sol preguiçoso, filtrado por nuvens brancas. Era o tipo de dia em que o mundo parecia em paz — e, curiosamente, eu também. Desde cedo, pensei se ele realmente viria.
Jano era um homem de compromissos, de horários marcados, de compromissos milimetralmente planejados. Mas, às dez em ponto, o interfone anunciou sua presença.
Desci com uma sensação estranha — uma mistura de nervosismo e curiosidade. Quando a porta do prédio se abriu, ele estava lá: casual, elegante como sempre, mas sem o peso habitual do terno.
Camisa azul clara, mangas dobradas, jeans escuro e um relógio discreto no pulso. — Achei que você fosse desistir. — brinquei, tentando soar natural. Ele sorriu. — Eu prometi, lembra? E eu sou um homem de palavra.
— É estou começando a perceber. — respondi, descendo o último degrau. — E trouxe carro próprio ou motorista? — Eu trouxe o carro. — respondeu, abrindo a porta pra mim. — Hoje não quero ninguém nos seguindo