A quinta-feira passou como um borrão de compromissos técnicos, mas a calmaria no escritório era apenas a fachada de uma tempestade que se armava para o dia seguinte. Alice manteve a mesma postura impecável, focada nas telas e relatórios, agindo como se o abismo que criamos entre nós fosse apenas mais uma linha em uma planilha de custos. Mas a cada vez que ela entrava na minha sala para colher uma assinatura, o roçar sutil dos seus dedos contra os meus ao passar os papéis deixava um rastro de eletricidade na minha pele. Meu membro teimava em reagir, endurecendo com uma facilidade que já estava me deixando perigosamente impaciente.
Quando a sexta-feira finalmente chegou, o clima em Manhattan parecia acompanhar a minha tensão interna. O céu estava limpo, mas o vento frio que cortava os canais de concreto da cidade trazia aquela sensação de urgência. Trabalhei apenas até a hora do almoço. Alice fez o mesmo, saindo mais cedo conforme havíamos combinado para encontrar o motorista que a levaria até a boutique na Quinta Avenida.
Passei o restante da tarde na minha cobertura em Tribeca. Tentei relaxar fazendo alguns exercícios na academia do prédio, mas o esforço físico só serviu para bombear mais sangue pelas minhas veias, mantendo meu corpo em um estado de alerta constante. Tomei um banho demorado, fiz a barba com cuidado, deixando apenas a linha escura bem desenhada no maxilar, e vesti um terno sob medida azul-escuro com uma camisa branca de gola rígida.
Às sete da noite, o interfone da portaria tocou. O motorista avisou que o carro já estava lá embaixo com Alice.
Peguei o paletó, o celular e desci. Quando a porta de vidro do saguão do edifício se abriu e eu saí para a calçada, o sedã preto já estava estacionado junto ao meio-fio. O motorista abriu a porta traseira para mim e eu entrei, acomodando-me no banco de couro perfumado.
Foi aí que meu mundo balançou de verdade.
Alice estava sentada ali, olhando pela janela lateral. Quando o carro deu a partida e ela se virou para mim, o ar simplesmente sumiu dos meus pulmões. O vestido que eu havia selecionado era de um tom verde-esmeralda profundo, feito de um tecido fluido que abraçava suas curvas com uma perfeição covarde. O decote discreto valorizava os seios pequenos, e o corte acentuava a cintura fina antes de se abrir sutilmente sobre os quadris e aquela bunda imensa que vinha testando minha sanidade há dias. O cabelo castanho não estava no rabo de cavalo habitual; estava solto, caindo em ondas suaves pelas costas brancas e revelando as pequenas pintas no seu pescoço que agora pareciam um convite silencioso. Ela continuava de óculos, e aquela mistura de elegância madura com o ar intelectual me atingiu direto no meio das pernas.
Meu pau ficou completamente duro no mesmo segundo. Uma ereçã0 violenta e pesada esticou o tecido da minha calça de terno, arrancando um palavrão mental da minha cabeça.
— Você está... impecável, Alice — a voz saiu mais grave e rouca do que eu pretendia, denunciando o impacto.
Ela ajeitou a armação dos óculos com o indicador, um traço nítido de timidez que ela tentava esconder sob a máscara séria. Suas bochechas ganharam um tom sutil de rosa.
— Obrigada, Ethan. O caimento ficou perfeito, embora eu não esteja acostumada com esse tipo de... atenção aos detalhes — ela respondeu, olhando para as próprias mãos unidas sobre a bolsa de mão preta. — Confesso que o meu estômago está revirando desde que entrei neste carro.
— É apenas um jantar com duas pessoas mais velhas que se acham donas de Nova York — tentei tranquilizá-la, mudando sutilmente de posição no banco para tentar acomodar o volume incômodo na minha calça. — Meu pai vai tentar testar a sua segurança. Minha mãe vai analisar as suas maneiras. Mas quem realmente importa ali é o Richard. Ele vai procurar qualquer rachadura na nossa história. Se mantivermos a calma, ele não vai encontrar nada.
O carro cruzou a ponte em direção a Long Island, afastando-se do barulho de Manhattan e entrando nas estradas arborizadas e silenciosas onde ficavam as grandes propriedades da velha guarda de Nova York. Durante o trajeto de quarenta minutos, repassamos os pontos principais da nossa farsa. Alice decorou cada detalhe com a facilidade de quem revisava um contrato de engenharia. A inteligência dela era sexy pra cacet*.
Quando o veículo finalmente cruzou os portões de ferro da mansão dos meus pais e parou diante da fachada de pedra iluminada, respirei fundo. O motorista deu a volta e abriu a porta do lado dela.
Saí logo em seguida. Antes de caminharmos em direção à entrada principal, parei ao lado de Alice. O perfume de baunilha dela parecia ainda mais denso no ar frio da noite. Estendi o meu braço esquerdo na direção dela.
— Pronta? — perguntei, fixando meus olhos nos dela.
Alice olhou para o meu braço e depois subiu os olhos para o meu rosto. Ela respirou fundo, os seios pequenos subindo nitidamente contra o tecido verde do vestido, e deslizou a mão pequena pelo meu braço, segurando o meu antebraço com firmeza. O toque, mesmo através do tecido do meu paletó, fez meu membro pulsar com ainda mais força. Ela era macia, pequena perto do meu corpo musculoso, mas a determinação que emanava dela era gigante.
— Pronta — ela respondeu.
Caminhamos juntos até a grande porta de carvalho, que se abriu antes mesmo que tocássemos a campainha. O mordomo nos cumprimentou com a formalidade de sempre e nos conduziu até a sala de estar principal, onde o som de vozes baixas e o estalar da lenha na lareira quebravam o silêncio.
Assim que passamos pelos arcos de gesso, três pares de olhos se voltaram para nós. Meu pai estava de pé perto do bar com um copo de uísque; minha mãe, elegante em um conjunto de pérolas, sorriu de leve ao nos ver; e ali, encostado na poltrona com um sorriso cínico que eu tinha vontade de arrancar no soco, estava o meu primo Richard.
Apertei sutilmente o braço de Alice contra o meu corpo, sentindo o calor dela me dar a base de que eu precisava. A farsa havia começado, e eu não tinha a menor intenção de perder.