MAYA
O mundo lá fora era um borrão de luzes de neon e asfalto molhado. Eu sentia o meu corpo pesado, como se a gravidade tivesse decidido cobrar de todos os anos em que eu carreguei o mundo nas costas sozinha. Gisele estava ao meu lado no banco de trás do carro de aplicativo, o braço dela passado pelos meus ombros, tentando ser o meu pilar enquanto eu sentia que meus ossos eram feitos de gelatina e mágoa.
— Respira, Maya. Só respira — ela sussurrava, mas a voz dela parecia vir de dentro de um t