O relógio marcava quase o final da tarde quando um som familiar atravessou a mansão: o toque seco da campainha. Camila estava na cozinha organizando algumas coisas, tentando manter a rotina após o dia carregado de tensão, quando ouviu Adrian se levantar rapidamente do escritório.
— De novo? — murmurou ela, já sentindo o estômago se contrair.
Ele franziu a testa, firme, mas controlado.
— Parece que a visita não quer esperar — disse ele, caminhando pelo corredor. — Fique aqui.
Camila não conseguiu evitar a ansiedade que subiu como um calor repentino. Cada vez que Marina aparecia, parecia trazer consigo a capacidade de invadir espaços, de observar, de saber coisas que não deveriam ser vistas. E a sensação de vulnerabilidade crescia a cada aproximação.
A porta se abriu, e a silhueta familiar surgiu no hall. Marina entrou sem esperar convite, dessa vez com um sorriso mais contido, mas ainda carregado de ironia e julgamento.
— Boa tarde, Adrian — disse ela, com uma calma que parecia ensaiad