A manhã já avançava quando Camila começou a guardar a louça do café. Lucas brincava na sala, espalhando carrinhos pelo tapete, enquanto Adrian terminava algumas ligações no escritório. Era para ser um dia comum — ou o mais comum possível depois de tudo o que haviam vivido — mas algo no ar parecia denso, inquieto, como se um acontecimento silencioso estivesse prestes a se desdobrar.
Camila tentou ignorar a sensação enquanto limpava a bancada, focando nos movimentos repetitivos. Ainda assim, não conseguiu deixar de pensar na forma como Adrian a olhara mais cedo: uma mistura de desejo contido, ternura e algo próximo de preocupação.
Ela estava secando as mãos quando ouviu a campainha. O som ecoou pela casa com uma força inesperada, quebrando o ritmo calmo da manhã. Camila franziu a testa — ninguém estava esperando visitas.
Antes mesmo que ela se aproximasse do hall, Adrian surgiu do corredor, expressão alertada.
— Deixa que eu vejo — disse ele, mais firme do que o habitual.
Mas quando Cam