O som da voz de Lucas quebrou o silêncio como um estalo de vidro.
Camila recuou um passo, ainda sentindo o calor do quase-toque de Adrian na pele. O peito doía — não de culpa, mas de frustração contida, de desejo que não podia se expressar naquele momento.
Adrian se afastou instantaneamente, a testa ainda próxima à dela, respirando fundo como se tentasse expulsar a tensão que quase o fez perder o controle.
— Eu vou — disse ele, a voz baixa, firme, mas com um tremor que a entregava. — Eu vou falar com ele.
Ele se afastou mais um passo, e seus ombros rígidos denunciavam a luta interna entre ser homem, ser pai e ceder ao que queria.
Camila respirou devagar, tentando recuperar a compostura. O corredor parecia menor, mais apertado, mais quente do que há alguns minutos, mesmo sem ele estar tão perto.
— Eu fico aqui — disse ela, com a voz firme, mas carregada de tudo que não podia dizer em palavras — apenas… espere um instante.
Adrian acenou quase imperceptivelmente e caminhou até a escada,