BARAN O REI DA MÁFIA " LIVRO 01" DUOLOGIA IMPÉRIO MAFIOSO
BARAN O REI DA MÁFIA " LIVRO 01" DUOLOGIA IMPÉRIO MAFIOSO
Por: Anny Shwan
PRÓLOGO

"Monstros são reais e cada um deles tem sua própria visão do mundo."

East Harlem / Iorque, New York, 1997.

Baran Celikkol 

— Tire esse corpo magro da cama, seu fedelho.

Meus olhos se abriram ao som da voz do homem que se tornou o meu pior pesadelo. Levei uma das mãos em direção ao meu rosto, em seguida arrastando-a até os meus olhos, tentando limpá-los e aos poucos fui me acostumando com a claridade.

— Não me obrigue a ir te buscar — disse com voz rouca, certamente era pela sua embriaguez. 

Enquanto eu me levanto, as dores em meu corpo protestavam contra todos os meus movimentos e minha cabeça não parava de girar devido à fraqueza que me envolvia. Sabendo qual seria a consequência se ele viesse ao meu encontro, meus pés arrastam-se pelo chão, levando-me para o banheiro. Retiro minhas roupas e as manchas rochas ainda estavam visíveis em minha pele. Fecho os meus olhos assim que eles começam a arder e algumas lágrimas brotam deslizando pelo meu rosto. Eu sentia tanta falta do meu pai e desde que ele se foi, a minha vida mudou para sempre, pois a mulher que deveria me proteger resolveu dedicar a sua vida ao meu agressor, resolveu colocar os seus vícios acima do seu próprio filho e a cada dia se torna uma marionete, a qual aquele monstro controla como deseja.

Eu tenho vontade de fugir, mas, eu jurei para o meu pai que sempre iria protegê-la e mesmo não tendo forças para lutar contra aquele tirano, eu ainda preciso manter a minha palavra.

Caminho em direção ao chuveiro e assim que o mesmo é ligado por mim, um ruído em protesto sai da minha boca. A água fria em contato com o meu corpo quebrado, provoca um forte desconforto, porém, mordo forte os meus lábios para não deixar que nem um som saia. Tomo um banho rapidamente e depois de escovar os meus dentes, vou até o varal e pego a roupa que eu havia lavado, embora o meu uniforme esteja velho, eu preciso mantê-lo limpo, já que aqueles idiotas sempre vivem me criticando.

Instantes depois, eu já estava arrumado, sigo para a cozinha e quando chego, vou até a geladeira e tudo que encontro é uma garrafa de leite, pego um copo e depois de colocar o líquido dentro, tomo tudo em um gole só, tentando dissipar um pouco a dor em minha barriga, causada pela fome. Pego minha mochila surrada e ao chegar perto da sala, o cheiro forte de álcool estava impregnando o lugar, depois de mais alguns passos, meu olhar saltam ao redor da sala, olhando para o corpo da mulher que estava jogado em cima do sofá e ao seu lado duas garrafas de vodca esvaziadas.

— Você ainda não saiu infeliz!

Tive um solavanco quando meus pensamentos foram interrompidos e meu olhar recai sobre o rosto do homem que tinha os olhos bem vermelhos e as pupilas dilatas; o que certamente era por causa da cocaína que ele sempre cheirava. Dou uma última olhada em direção a minha mãe e caminho até a saída. Se não fosse dona Salert, que é assistente social, eu já teria deixado a escola e embora sabendo que ela poderia ser a minha salvação para escapar desse inferno, se contar que esse homem vive me espancando, eles vão me afastar da minha mãe.

Algum tempo mais tarde...

Todos estavam em silêncio enquanto a senhorita Clara, estava entregando as provas.

— Amanda, meus parabéns.

— Michel, Antony e Gustavo. Se vocês continuarem desse jeito, vão repetir o ano.

Os três se levantaram para pegar suas provas e pelas palavras ditas pela professora e as feições deles, de certo mais uma vez haviam se saído de mal a pior. Deixo minhas teorias de lado quando a mulher que está sentada em sua poltrona se levanta e começa a falar.

— O dever do professor é repassar aos seus alunos tudo que ele sabe, para assim, o preparar para uma nova jornada que se inicia. Ter você, Baran Celikkol, como aluno, sem dúvidas é um presente, sempre soube do seu potencial, mas fico admirada como você tendo somente nove anos, consegue absorver com tanta facilidade cada conteúdo. Parabéns por ter tirado a nota máxima e a mais alta de toda a turma.

Naquele momento, só um pensamento se fazia presente em minha cabeça; o quanto o meu pai estaria orgulhoso. Depois que peguei a folha das mãos da professora, os olhares dos três que sentavam do lado esquerdo, ficaram cravados em minha direção e havia um brilho que demostrava uma fúria contida dentro deles.

As horas passaram-se voando, minha barriga estava doendo de tanta fome. O sinal tocou e a sala que antes estava cheia, começou a ficar vazia, peguei minha bolsa e com passos apressados ando em direção ao portão principal, passo pelo corredor e logo em seguida chego até o pátio onde as diversas vozes se misturavam. Passos apressados leva-me para fora do lugar e no instante que chego ao final do muro, ao dobrar a rua, meu corpo é lançado com brusquidão em direção ao chão. Um gemido alto escapa da minha boca e quando levanto a cabeça, os três, que eram cada um, um ano mais velhos e muito mais fortes que eu, estavam parados ao meu redor.

— Então o maltrapilho da escola acha que é melhor que a gente? — os olhos de Michel estavam cheios de raiva.

— Você vai aprender que aqui não é e nunca será o seu lugar — fala Antony num tom grosseiro.

Antes que eu viesse a me levantar, senti uma dor insuportável nas minhas costelas e quando achei que não poderia ficar pior, o golpe que veio em seguida foi cruel e pesado, fazendo todo o meu corpo ser envolvido por uma dor cruciante. Eles continuaram a me chutar e na minha mente só ecoava as palavras daquele que eu tenho como padrasto.

“— Não deixe seus inimigos verem o seu medo, isso só faz de você um maldito maricas.”

Minutos depois...

Dor! Dor e dor! 

É tudo que eu sinto. As lágrimas grossas, que parecem não ter fim molham o meu rosto. Meu coração b**e forte e minha respiração está ofegante, algo dentro de mim, como nunca havia sentido antes, me queima por dentro, gritando como se quisesse sair fora. Cada fibra do meu corpo se nega a corresponder aos meus comandos e eu tenho a sensação de que fui sacudido por um animal selvagem e este estivesse arrastado o meu corpo para longe, respiro profundamente e vários ruídos escapam do fundo da minha garganta. E, mesmo com as pernas pesadas, eu consigo me manter em pé, olho para os lados e a rua está deserta. Lutando contra as dores que assolam o meu corpo e a profunda tristeza que sinto em minha alma, começo a me mover, mesmo com dificuldade. Segundos ou minutos se passam, não sei ao certo precisar o tempo transcorrido, este por sua vez, para mim parecia uma eternidade, contudo, em dado momento, eu fiquei em total alerta quando vários estrondos ecoaram a minha volta, me escondi perto das duas latas de lixos enormes que tinha ali e os disparos ecoavam por todos os lados, pela pequena brecha pude ver os policiais do lado esquerdo e homens vestidos de preto do lado direito.

O ricochetear das balas eram assustadores, porém, aquele som fazia algo vibrar intensamente dentro de mim, perdi a noção do tempo enquanto assistia aquele embate e aquilo parecia não ter fim, entretanto, meus olhos se arregalam e não consegui desviar o olhar da imagem a minha frente. Um homem que usava um capuz negro carregava uma arma enorme em suas mãos e a cada tiro, ele eliminava com precisão o alvo a sua frente. Eu não sei o que estava acontecendo comigo, mas embora sabendo que o certo era ficar do lado dos policiais na luta contra o mal, eu estava torcendo para aquele homem acabar com todos. 

Quando o barulho cessou e meus olhos ficaram cravados na direção do desconhecido, eu tive a certeza de que eu queria ser muito mais temido do que ele. Que ninguém mais iria me tratar como um nada. E algum dia, eu seria aquele que iria mandar em todos.

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