Leonor fechou o telefone e permaneceu alguns segundos imóvel, seus pensamentos girando como uma tempestade em sua mente. Observando o próprio reflexo no espelho, a imagem que via era de uma mulher de aparência impecável, com maquiagem meticulosamente aplicada e roupa perfeitamente escolhida. No entanto, os olhos — frios e sem brilho — denunciavam a impaciência que crescia dentro dela, como uma chama que se recusava a apagar.
O rosto fresco e bem cuidado mal podia esconder o tumulto emocional que fervia sob a superfície, evidenciando a luta interna que enfrentava diariamente. Assim como uma artista que se esforça para criar uma obra-prima, Leonor sentia-se presa entre a busca por perfeição e a realidade esmagadora das expectativas que eram impostas a ela. Com passos lentos e calculados, ergueu-se da poltrona como se carregasse o peso do mundo sobre os ombros, um fardo que não era apenas físico, mas que se espalhava por toda a sua vida repleta de obrigações e expectativ