No final do expediente, Henrique se aproximou da mesa de Aurora com passos firmes demais para parecer casuais. Havia algo decidido em seu olhar, como se tivesse passado o dia inteiro ensaiando aquele momento.
— Vamos? Te levo em casa — disse, no mesmo tom de quem repetia um hábito antigo.
Aurora ergueu os olhos devagar. O coração bateu um pouco mais rápido, mas ela conteve a reação.
— Henrique… hoje não precisa — respondeu, a voz baixa, controlada demais para ser natural.
Ele arqueou uma sobran