Saulo apareceu na empresa sem avisar, como fazia questão de fazer desde sempre. Para ele, avisar tirava a graça. Parou diante da sala de Henrique, bateu duas vezes apenas para provocar e entrou sem esperar resposta, como se aquele espaço ainda fosse, de alguma forma, território compartilhado.
— Preciso marcar hora agora? — perguntou, jogando o corpo na poltrona de frente para a mesa. — Ou você só existe nesse escritório?
Henrique não levantou a cabeça de imediato. Continuou rabiscando algo no p