Vitor assentiu e se inclinou para olhá-la com ternura.
— Então me espera no carro. Vou avisar eles e já vou.
— Tá. — Marina respondeu e se virou para sair.
Ela ainda não tinha ido longe quando o celular tocou.
Ao ver aquele número desconhecido, Marina, na verdade, já tinha adivinhado. Mesmo assim, atendeu.
Assim que a ligação foi completada, o barulho da sala veio pelo aparelho.
Logo depois, vieram as vozes de Bruno e dos outros.
— Vitor, você pegou pesado demais. Tá, o Igor não devia ter exposto essas coisas agora e atrapalhado seu plano. Mas rachar a cabeça de um amigo por causa daquela mulher não passou um pouco do limite?
— Pois é, Vitor. Depois da cena de hoje, quem não sabe vai achar que nesses três anos você entrou tanto no papel que acabou gostando daquela mulher de verdade. Até a gente ficou com medo de falar demais.
— Mas a Marina é bonita mesmo. Corpo elegante, rosto de cair o queixo. Se você dissesse que se envolveu de verdade, nem seria tão estranho.
— Afinal, uma mulher dessas ao seu lado por três anos, macia, delicada e fácil de dominar... qualquer homem ficaria tentado.
Ao ouvir aquelas palavras cada vez mais sujas pelo telefone, Marina apertou o aparelho por instinto. Até sua respiração parou por um instante.
Ela ouviu com atenção os sons do outro lado, querendo escutar com clareza o que Vitor responderia.
Mas logo aquela voz familiar e límpida veio e esmagou o último fiapo de esperança dentro dela.
— Impossível. Eu posso gostar de qualquer pessoa, menos da filha de Roberto.
— Mas vocês também tenham juízo. Se ela perceber alguma coisa antes da festa de noivado e estragar o que eu preciso fazer, não me culpem pelo que acontecer.
— Não quero ver outro caso como o do Igor.
Assim que Vitor terminou, os outros responderam na hora:
— Entendido, Vitor. Fica tranquilo. Só faltam uns dez dias. A gente aguenta esperar.
— A gente sabe que você planejou tudo isso por tanto tempo só para ver a cara do Roberto naquela hora. Entendemos. Fica tranquilo, não vamos estragar nada.
— Mas, falando sério, aquele ensaio já não está quase pronto? Quando pegar, dá para mostrar primeiro para a gente matar a curiosidade?
Ao ouvir isso, Marina prendeu a respiração. O corpo inteiro ficou tenso.
Mas, justamente naquele momento, a chamada foi encerrada.
Pensando no assunto que eles estavam discutindo, imaginando que Vitor talvez aceitasse mostrar aquelas fotos para eles, imaginando que ele pudesse pegar as fotos antes dela...
Quanto mais Marina pensava, mais o estômago se revirava. Ela saiu depressa, se apoiou na parede do lado de fora e começou a ter ânsias.
A tensão e a náusea vieram juntas, e o mal-estar no estômago ficou cada vez mais forte.
Enquanto isso, dentro da sala, Vitor ouviu aquelas conversas e disse friamente:
— Por enquanto, ela ainda é minha namorada. Guardem esses olhares nojentos para vocês.
— É, faz sentido. Até para mexer com uma qualquer, tem que ver quem banca ela, né? Foi falha nossa. Vitor, fica tranquilo. A gente espera você enjoar dela antes de ficar com o que sobrar.
Ao ouvir aquilo, Vitor sentiu um incômodo vago no peito, sem saber por quê.
Três anos atrás, quando voltou e se aproximou de Marina outra vez, ele tinha certeza de que havia fechado bem o próprio coração.
Mas, depois de três anos de cuidados, depois de tantas noites em que perdeu o controle, talvez nem ele mesmo soubesse dizer quanto daquilo era sentimento e quanto era fingimento.
Só que certas palavras tinham saído da boca dele. Naquela época, ele as tinha dito movido pelo ódio. Agora, não podia simplesmente voltar atrás. Então só conseguiu fingir que nada tinha acontecido e sair dali.
Assim que Vitor saiu da sala, Bruno e os outros sorriram para Cecília.
— Você não está nem um pouco ansiosa? A gente está esperando você virar a mulher de verdade do Vitor.
— Pela relação que vocês tiveram no exterior, passando por tanta dificuldade juntos, se o Vitor quisesse mesmo viver bem com alguém, só poderia ser com você.
Cecília ouviu aqueles elogios com um sorriso nos lábios.
— Não tenho pressa. Vitor e aquela mulher só estão encenando. Nos cinco anos difíceis no exterior, nós dois aguentamos tudo juntos.
— Agora que ele quer se vingar, como eu poderia impedir?
Depois que Cecília disse isso, a sala se encheu de novos elogios.
— A verdadeira companheira é outra coisa mesmo. Generosa.
— Dá até inveja do Vitor, com alguém tão compreensiva ao lado.
Cecília sorriu de leve enquanto ouvia aqueles elogios, se sentou com elegância, pegou uma taça e começou a beber com eles.
Mas, no instante em que baixou os olhos, uma crueldade intensa passou pelo olhar dela.
No breve confronto de agora há pouco, ela tinha sentido que Vitor não era totalmente indiferente a Marina.
Talvez houvesse fingimento nas palavras dele, mas não era tudo fingimento.
Quem olhava de fora enxergava melhor. Aquele cuidado, Cecília tinha visto com clareza.
E Marina também não era tão fácil de lidar quanto ela imaginava. Agora há pouco, tinha sido Cecília quem atacou primeiro, mas Marina conseguiu se calar. Isso mostrava que ela também não era nenhuma santa.
Só que, já que Cecília tinha voltado, ela faria Vitor seguir em frente.
Desde que ele colocasse o plano de vingança em prática, ele e Marina nunca mais teriam chance.
Além disso, só de imaginar Marina sendo ridicularizada, humilhada e esmagada até não conseguir mais levantar a cabeça, Cecília sentia uma satisfação difícil de descrever.
Bastava imaginar aquelas fotos sensuais exibidas em um telão diante dos pais, parentes e amigos de Marina, com todos apontando para ela e olhando sem pudor, para Cecília se sentir tomada por prazer.
Pensando nisso, ela pegou a taça com um sorriso e bebeu de uma vez.
Fora da sala, Vitor caminhava depressa para o estacionamento. Assim que chegou ao lado de fora, viu Marina em um canto, apoiada na parede, com ânsias sem parar.
O coração dele falhou por um instante. Ao pensar nas vezes recentes em que tinha deixado de usar proteção de propósito, o coração de Vitor disparou.
Na época, Bruno e os outros brincaram dizendo que ele poderia arrumar um jeito de fazer Marina engravidar, para que Roberto sofresse ainda mais.
No começo, até eles tinham dito aquilo como piada. Mas Vitor levou a ideia a sério.
Naquele momento, nem ele mesmo sabia se queria humilhar Marina ainda mais ou se realmente queria ter um filho com ela, para mantê-la ao seu lado.
Depois de três anos juntos, muitas vezes nem ele conseguia entender as próprias emoções.
Mas agora, só de pensar que ela talvez estivesse mesmo grávida, o coração de Vitor perdeu o ritmo.
Sem conseguir se conter, ele acelerou o passo, chegou rápido ao lado de Marina, segurou-a e perguntou com voz suave:
— O que foi, Marina? Por que você está passando tão mal? Você não está grávida de verdade, está?